Tribuna do Leitor

Uma parte da história do asilo-colônia Aimorés 1933


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Jesus Gonçalves - 12/7/1902 + 16/2/1947

Escrever sobre a história do antigo Asilo-Colônia Aimorés tornou-se uma tarefa fácil, fácil porque busco conhecimentos e orientações como por exemplo o senhor Carmo Rodrigues, o segundo interno mais antigo ainda vivo e responsável pela construção de vários prédios da nossa arquitetura antiga embora abalada pelo tempo, como Cassino, Igreja, a Tribuna de Honra no Campo de Futebol, Coreto da Praça Adhemar de Barros, alguns dos símbolos históricos. Alguns foram demolidos, como o reservatório de água que foi construído pelos antigos internos na décadas de 34 e 40 entre os ex-internos que passaram os piores momentos de suas vidas vivendo dentro do antigo leprosário de Bauru, uma colônia de isolamento nas década de 1933 até 1962. Jesus Gonçalves se destacou e hoje ocupa seu espaço nacional e internacional no meio da Doutrina Espírita depois da sua conversão do ateísmo para o espiritismo.

Jesus Gonçalves foi considerado o primeiro missionário entre os hansenianos do Asilo-Colônia Aimorés, foi internado sob os cuidados do médico dr. Murilo cujo prontuário datado de 16/09/1933, matriculado com o nº 223, que não consta na Seção de Registro, pena que o tempo não perdoa e parte da história foi consumida pelo próprio tempo.

Jesus Gonçalves, uma das grandes personalidades da história que passou, pelo antigo asilo, nasceu na cidade de Borebi/SP, a 12 de agosto de 1902, filho de João Gonçalves e de Josepha Mendes. Deixou sua marca registrada em sua rápida passagem pela cidade sem limites. Em 1919 trabalhou como tesoureiro na Prefeitura Municipal de Bauru, em 1930 afastado e aposentado por ter contraído a lepra, ele passa a residir com seus seis filhos em um sítio do senhor João Martins Coube, que o acolheu e tornou-se seu verdadeiro amigo no momento que ele mais precisava de ajuda.

Foi um exemplo para os internos do Asilo-Colônia Aimorés, fundou a Jazz-Band da qual era o clarinetista, foi o responsável pelo Jornal Interno “O Momento”, criou o primeiro Centro Espírita dentro da colônia, formou Grupo de Teatro, participou paralelamente da fundação da RPA – Rádio Publicidade Aimorés, incentivou as modalidades esportivas, participando da equipe do Aimorés Futebol Clube, enfim, foi sempre atuante em seus projetos em benefício dos irmãos hansenianos que dividiam junto com ele o mesmo espaço no mesmo mundo de horrores considerado por ele próprio, como sendo pior que um campo de concentração nazista em 1933.

Em 1937 é transferido para a Colônia do Pirapitingui, em Itu, SP, e lá, com as consequências causadas pela moléstia, regressa à sua Pátria Espiritual e descansa em Paz às 11 horas da manhã, em 16/02/1947.

Jesus Gonçalves deixou escrito na história do antigo Asilo-Colônia Aimorés a sua trajetória, se hoje estivesse vivo, estaria completando no próximo dia 12/08/2009 107 anos da sua passagem pela vida aqui na terra, mais um capítulo da triste história que aos poucos a própria história vai destruindo. Se não lembrarmos, com certeza cai no esquecimento.

“Preservar a história do antigo Asilo-Colônia Aimorés é deixar subsídios para que as futuras gerações possam entender o significado da palavra Lepra”.

Jaime Prado

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