Polícia

Assassinato de menor em Bauru é baixo

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Do total de jovens de 12 a 18 anos que moram em Bauru, 14 não chegarão à idade adulta. A informação é da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), que calculou o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), levantamento inédito que aponta o risco de adolescentes serem assassinados nas maiores cidades do País. Bauru apresentou um dos melhores índices entre as 267 cidades, ocupando a 241.ª posição.

O IHA foi desenvolvido em parceria entre SEDH, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Observatório de Favelas, com o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-Uerj) dentro do Programa de Redução da Violência Letal Contra Adolescentes e Jovens (PRVL). O objetivo do índice é mensurar o impacto da violência entre os jovens, monitorar o fenômeno e avaliar a eficiência de políticas públicas nesse grupo.

O índice revela, num universo de mil pessoas, o número de jovens que após completar 12 anos, não chegará ao 19.º aniversário, porque será assassinado. É a quantidade de homicídios que se pode esperar nos próximos sete anos se não houver nenhuma alteração da violência.

A média nacional é de 2,03 jovens que serão mortos antes de completar 19 anos. Bauru, com 46,7 mil habitantes com idade entre 12 e 18 anos, apresenta um dos melhores índices, com IHA de 0,29. Ou seja, é esperado que um jovem bauruense a cada 3,3 mil morra violentamente antes de ser adulto.

Na região, Jaú e Ourinhos apresentam índices melhores que Bauru - a pesquisa só foi feita em cidades com mais de 100 mil habitantes. Marília teve índice de 0,46. Já Botucatu, teve o pior desempenho na região, com IHA de 0,85 - pelo índice, a cidade, que tem cerca de 30 mil adolescentes a menos que Bauru, terá o mesmo número de jovens que não chegará aos 19 anos: 14.

O prefeito Rodrigo Agostinho afirma que para diminuir ainda mais os índices de assassinatos de jovens em Bauru, está investindo na rede de proteção social. “Por isso montamos em cada um dos Centros de Referência em Assistente Social (Cras) um Centro de Convivência entre Jovens e adultos e estamos chamando os pais dessas crianças para envolvê-los nas atividades, tentando resgatar e fortalecer os laços familiares”, esclarece. “São 60 mil pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza e é onde devemos atuar.”

Além disso, deverá cobrar maior investimento. “A segurança pública deve ser trabalhada de forma direta e indireta. De forma direta, tenho cobrado muito o governador na questão de aumentar o efetivo da polícia em Bauru. Também queremos um novo batalhão da PM. Já na forma indireta, trabalhamos no programa de iluminação pública, além de levarmos esporte, cultura e lazer nos bairros”.

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Prevenção

O delegado seccional de Bauru, Benedito Valencise, destaca que a maioria dos homicídios envolvendo jovens tem relação com as drogas. “Não só no consumo, mas também com o tráfico. Adolescentes são explorados pelos traficantes que têm a falsa percepção da impunidade”, avalia.

O delegado destaca que a Polícia Civil em Bauru vai atuar de forma incisiva contra esse tipo de crime. “Trabalharemos de forma severa no combate ao tráfico e vamos investigar grupos que usam adolescentes para a venda de drogas”, diz.

O comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), tenente-coronel Benedito Roberto Meira, destaca que o bom índice apresentado por Bauru também se deve à forte atuação da Vara da Infância e Juventude de Bauru. “A repressão da delinqüência juvenil pela Justiça é incisiva. O juiz Ubirajara Maintinguer é exigente e rigoroso, o que inibe a ação do infrator”, destaca. Meira avalia que, além do policiamento de repressão ao crime, a PM investe em projetos educacionais, como ações do Jovens Construindo a Cidadania (JCC) e Programa de Resistência às Drogas e Violência (Proerd). “Devemos incrementar esses programas que envolvem crianças e adolescentes, como ações preventivas”, destaca.

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