Brasília - Mais de 33 mil adolescentes serão assassinados entre 2006 e 2012, prevê o Indicador de Homicídios na Adolescência (IHA), divulgado ontem pelo governo federal, Unicef e Observatório de Favelas. De acordo com o estudo, de cada 1.000 adolescentes que completam 12 anos no Brasil, 2,03 são mortos por homicídio antes de completar 19 anos. Foram analisados dados de 2006 de 267 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.
A cidade de Foz do Iguaçu (PR) lidera o ranking de mortes violentas entre adolescentes, com 9,7 mortes para cada grupo de 1.000 adolescentes. Em seguida vem Governador Valadares (MG), com 8,5 mortes e Cariacica (ES), com 7,3 mortes.
Entre as Capitais, Maceió (AL) e Recife (PE) apresentam os piores números, com seis mortes para cada 1.000 adolescentes cada. O Rio de Janeiro vem em seguida, com 4,9 mortes. A cidade de São Paulo ocupa o 24.º lugar entre as Capitais com 1,4 morte a cada 1.000 jovens.
Em números absolutos, porém, a Capital paulista tem o segundo maior número de mortes de adolescentes entre as Capitais, com 1.992 mortes, atrás apenas da cidade do Rio de Janeiro, que tem 3.423 mortes.
O especialista em violência Ignácio Cano, que participou da elaboração do estudo, chama atenção para a prevalência de mortes por arma de fogo na pesquisa. A chance do adolescente ser assassinado por esse tipo de arma é 3,29 maior do que por outros meios. “Isso frisa a importância das políticas contra arma de fogo no Brasil como forma de diminuir a mortalidade”, afirmou.
O estudo mostra ainda que as chances de adolescentes homens morrerem por violência é 11,9 vezes maior do que mulheres. Para negros, a chance é 2,6 maior do que para adolescentes brancos.
Canto disse que o estudo não identificou o motivo de cidades como Foz do Iguaçu e Governador Valadares aparecerem no topo do ranking. De acordo com a subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmem Oliveira, o governo constituiu um grupo de trabalho com gestores municipais para identificar motivos, áreas de risco e estabelecer metas e estratégias para enfrentar o problema.
Taxa zero
Dos 19 municípios que apresentaram taxa zero de homicídios entre adolescentes em 2006, nove estão no Estado de São Paulo. O estudo analisou dados daquele ano em 267 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.
De acordo com o estudo, tiveram índice zero os municípios paulistas de Barretos, Bragança Paulista, Catanduva, Franca, Indaiatuba, Itapetininga, Jaú, Ourinhos e Sertãozinho.
A Capital paulista ocupa o 151.º lugar entre os municípios com 1,42 homicídio para cada grupo de 1.000 adolescentes entre 12 e 18 anos. O número ficou abaixo da média nacional, que é de 2,03 mortes. Entre as Capitais, São Paulo está em 24.º lugar.
“Isso é fruto da queda dos homicídios que vem ocorrendo no Estado de São Paulo a partir de 2001. Comparativamente a outros Estados, São Paulo apresenta uma situação bastante positiva”, especialista em violência Ignácio Cano, que participou da elaboração do estudo.