Economia & Negócios

Inverno: hora de construir e reformar

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O inverno chegou e, com ele, o momento ideal para resolver aqueles “probleminhas” na casa. Rodapés embolorados, telhas trincadas, rachaduras nas paredes, goteiras na laje e manchas na fachada são alguns dos problemas mais recorrentes, e que não podem esperar até o próximo verão. Até meados de setembro, a estiagem permite que qualquer tipo de obra não seja interrompida por questões meteorológicas.

Outro fator que colabora para começar uma reforma ou até mesmo uma ampliação do imóvel é a facilidade de conseguir crédito através de financiamentos em instituições bancárias. Além disso, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), instituída em abril pelo governo federal, reduziu os preços da cesta básica de materiais de construção, deixando-os até 8,5% mais baratos ao consumidor final.

Atenta ao momento propício, a aposentada Maria Antonia Carlos aproveitou para trocar janelas, telhas e beirais quebrados, além de repintar as paredes internas e externas da casa. A reforma, que começou há pouco menos de duas semanas, não precisou ser interrompida nenhuma vez em função da chuva, já que há 11 dias nenhuma gota caiu sobre Bauru.

“Foi meu genro quem me orientou a mexer na casa nessa época e foi um grande negócio. Está tudo correndo conforme o programado e devo terminar tudo ainda em agosto”, comenta.

Se por um lado a estiagem é prejudicial por colaborar para o aumento de problemas respiratórios na população, por outro favorece e muito que diversas obras da construção civil dêem o arranque necessário para seguir em ritmo acelerado até a época das chuvas chegar.

O arquiteto Cláudio Berriel Ricci explica que a execução de obras durante o verão normalmente implica em um gasto maior de tempo e dinheiro em relação aos períodos de estiagem, já que a chuva pode deixar os trabalhadores parados, desfazer serviços concluídos e estragar materiais mal armazenados. “Além disso, há um risco maior de os pedreiros sofrerem acidentes de trabalho com escorregões ou até mesmo soterramentos”, alerta.

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Planejamento

A orientação dos profissionais da construção civil e arquitetura é sempre planejar o início das obras para a época de inverno. Se a intenção é realizar uma reforma, apenas alguns reparos ou mesmo mexer na estrutura das casa com uma pequena ampliação, o arquiteto Cláudio Berriel Ricci garante que este é o melhor momento. “E mesmo para a construção de imóveis novos, que demandam mais de três meses para serem concluídos, a indicação é que, ao menos, a fundação da casa, paredes e cobertura sejam feitas na época de seca”, frisa.

E, de agora até o final do ano, o mercado da construção civil deverá permanecer movimentado. Basta circular pelos bairros de Bauru para encontrar centenas de obras em andamento para aproveitar ao máximo esse período. Bairros da zona sul e regiões de condomínios fechados, principalmente, se transformaram em verdadeiros canteiros de obras.

Somados a eles, a construção de imóveis residenciais e comerciais em outras áreas de Bauru garante o emprego de mais de 10.500 pedreiros e serventes. Sem contar as centenas de empregos gerados pelas lojas especializadas no ramo.

De acordo com o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em Bauru, Renato Parreira, a época de contratação de mão-de-obra neste segmento costuma se estender até novembro. “No final do ano, o número de trabalhadores formais fica em torno dos 10 mil. Em dezembro e janeiro, em função das chuvas e das férias, o índice de emprego sempre diminui”, comenta.

Ele lembra, no entanto, que o número de pedreiros e serventes pode ser bem maior, já que a maioria das pessoas que decidem iniciar reformas simples em casa acaba optando pela mão-de-obra informal. “De forma geral, mesmo com a crise, a economia neste ramo está muito aquecida. Mas o que percebemos é que não há grandes obras, mas sim serviços pulverizados em toda a cidade”, observa.

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