Botucatu - O alastramento de casos suspeitos da nova gripe e de mortes, em decorrência da doença, tem preocupado a comunidade. Pensando nisso, o Hospital das Clínicas (HC), vinculado à Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB), promoveu anteontem a terceira reunião para discutir a atual situação da disseminação do vírus Influenza A (H1N1) em Botucatu (100 quilômetros de Bauru).
Em relação à pandemia da chamada “gripe suína”, o médico infectologista e docente do Departamento de Doenças Tropicais e Diagnóstico por Imagem da FMB, Carlos Magno Fortaleza falou sobre a transição do estágio de contenção da doença para a situação de transmissão sustentada que o mundo vive atualmente.
Para o médico, os motivos para se preocupar se justificam pelo fato de o vírus Influenza Suína ser mais grave que o Influenza Sazonal, ou seja, a gripe comum. Sobre as afirmações de que a nova gripe tem a mesma letalidade do vírus convencional, o especialista explicou que o Influenza “Suína” tem letalidade de 0,4% em todos os grupos populacionais, enquanto o Sazonal tem também 0,4%, mas apenas nos grupos de risco, como os idosos com mais de 65 anos.
A principal preocupação das organizações de saúde, no momento, de acordo com o infectologista, é identificar os pacientes contaminados pela nova gripe e tratá-los. “O vírus circula livremente e já não dá mais para identificar todos os casos. O objetivo agora não é mais conter a doença, mas evitar as mortes”, comenta. “Temos que manter a vigilância não mais nos casos suspeitos, mas sim nas Doenças Respiratórias Graves”, alertou o infectologista.
Em cada 500 casos de pessoas contaminadas pelo Influenza “suína”, dois vão a óbito. Segundo o médico, os sintomas que principalmente diferenciam a gripe comum da “suína” é que a segunda ocasiona mais vômito e diarréia.
Pela avaliação de Fortaleza, ainda não é possível afirmar que o vírus Influenza “suína” circula por Botucatu, mas também não descarta que isso venha a acontecer. Ele pontuou ainda algumas mudanças significativas ocorridas desde o início da pandemia. Uma delas é que, atualmente, perdeu-se o vínculo epidemiológico, ou seja, não são mais consideradas pessoas em risco aquelas que viajaram para o exterior ou tiveram contato com aqueles que estiveram em locais onde a transmissão era sustentada e apresentem sintomas da “gripe suína”.
Além disso, segundo ele, diferenciar os vírus Sazonal e “suína” tornou-se impossível e os Laboratórios de Referência não conseguem dar conta da demanda de exames. Os grupos de riscos da nova gripe também foi ampliado: gestantes, menores de dois anos, obesos mórbidos, soropositivos para HIV, pessoas com doenças pneumológicas e idosos.