São Paulo - O presidente Lula disse ontem que o “PT precisa levar muito a sério” a possibilidade de lançamento da candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo. Alegando que os petistas teriam dificuldades de vencer sem a construção de uma aliança, Lula recomendou maturidade ao partido. Em entrevista à rádio Globo, Lula afirmou que é preciso saber se Ciro está disposto a concorrer.
A hipótese inspirou uma brincadeira do governador de São Paulo, José Serra, durante cerimônia de assinatura de empréstimo do BNDES para compra de trens para o metrô do Distrito Federal. Como a fornecedora é a Alstom, a solenidade aconteceu em São Paulo, merecendo elogios do governador José Roberto Arruda (DEM). “Daqui a pouco, o Arruda também vai querer se candidatar em São Paulo”, discursou Serra, sem citar o nome de Ciro.
Lula e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) cancelaram sua participação no evento, 20 minutos depois do horário previsto para seu início, sob o argumento de que uma chuva forte impedira que embarcassem no helicóptero. A ausência coincide com a disseminação de um discurso no PT: de que a presença dos dois numa cerimônia na sede da empresa esvaziaria o eventual uso do caso Alstom contra Serra na corrida presidencial.
Embora os contratos não tenham sido assinados no governo Serra, a Alstom é alvo de investigação no Estado. E, para petistas, a aparição de Dilma e Lula no evento serviria de álibi para o governador tucano.
Pela manhã, Lula e Serra visitaram a feira de produtos orgânicos, no Ibirapuera. No estande do Rio Grande do Sul, o presidente falou alto ao receber uma encomenda - um pacote de erva mate para chimarrão - para Dilma.
“Isso é para a senhora Dilma Rousseff”, afirmou, ao lado de Serra. Ao ganhar um pacote de chá recomendado contra a insônia, Lula brincou: “Esse é para o governador José Serra”.
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“É preciso saber o tamanho do crime”
Brasília - Lula afirmou ontem que é preciso evitar o que chamou de “morte precoce” do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Mesmo depois da revelação de conversas em que Sarney orienta o processo de contratação do namorado da neta, Lula minimizou o teor das denúncias, defendeu a permanência do presidente do Senado no cargo e censurou condenação precoce no País. “O que você não pode é vender tudo como se fosse um crime de pena de morte”, afirmou.
Ao falar das gravações, Lula disse que “é preciso saber o tamanho do crime”. “Ou seja, uma coisa é você matar, outra coisa é você roubar, outra coisa é você pedir um emprego, outra coisa é relação de influências, outra coisa é o lobby.”
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), entregou ontem a sua quarta denúncia contra Sarney.