A Casa da Sopa da Vila Dutra, em Bauru, lança oficialmente no dia 6 de agosto, o projeto Barriga Cheia. Será uma opção ao tradicional sopão oferecido pela entidade gratuitamente há quase sete anos. Ele permanecerá acessível aos interessados, que também poderão comprar refeições a R$ 2,00 o quilo.
“Tem muita gente que já enjoou da sopa, embora a gente varie os ingredientes todos os dias. Um dia é canja, o outro sopa de mandioca com carne ou de legumes, batata doce, farelo de trigo. Sempre é diferente, mas o problema é que tem gente que só come isso”, comenta a voluntária da entidade, Rose Lopes. Ela avalia que o projeto a ser implementado deixará menos constrangidas as pessoas que dependem da benevolência para se alimentar.
“R$ 2,00 é um valor simbólico pela refeição. Serão 500 gramas de arroz, 200 gramas de feijão e 300 gramas de mistura (carnes e legumes)”, explica Rose, que já estabeleceu um cardápio. As refeições apenas não serão servidas às quartas-feiras e aos domingos, quando os voluntários responsáveis pelo preparo dos alimentos descansarão.
Eles programaram oferecer às segundas-feiras arroz, feijão, carne moída e salada. No dia seguinte, arroz, tutu de feijão, torresmo e couve refogada. Na quinta-feira, macarronada, salada e legumes cozidos. Depois, arroz, feijão, frango com legumes e salada. “No sábado vamos fazer algo mais consistente. Dobradinha ou feijoada ou língua, miúdos de carne. Haverá também farofa e vinagrete”, diz Rose. Inicialmente, a Casa da Sopa fará 50 quilos por dia das refeições previstas no cardápio, sendo que devem ser mantidos os 150 litros de sopa diários.
A voluntária espera receber em doação uma balança, uma panela de pressão de sete litros, além de várias outros itens. “Os ingredientes a gente consegue com festas, jantares, rifas, bingos e também com doações da sociedade. Por isso que a gente vai fazer neste preço. Poder escolher a refeição melhora a auto-estima.” Ela explica que o interessado pode comprar menos ou mais de um quilo. Porém, deve levar a vasilha, como acontece com a sopa. “Estamos copiando o Coma Bem por R$ 1,00. Mas ele é subsidiado. Nós não temos subsídios, só a ajuda de amigos”, afirma Rose. Se a situação financeira fosse mais confortável, ela providenciaria a reforma da cozinha, da Casa da Sopa. A obra, no entanto, não é prioridade. A ordem do dia é alimentar as famílias pobres e acompanhá-las. Além de Rose, realizam o trabalho diariamente as voluntárias Maria Rosa, Raquel dos Santos e Ocilon dos Santos.
• Serviço
Informações sobre doações pelos telefones (14) 3238-7702 e 91626811.
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O melhor
Ter ao menos a possibilidade de comprar uma comida é o que de melhor pode acontecer com uma pessoa. A afirmação foi feita pela dona de casa Catarina Torres dos Santos Antonini, freqüentadora da Casa da Sopa. Com formação em magistério, ela espera desembolsar os R$ 2,00 aos sábados. Durante a semana, as refeições serão mesmo sopa.
“Não cansa porque elas são deliciosas. Mas é muito boa a idéia (do Barriga Cheia). Uma marmitex hoje é R$ 6,00”, diz.
Como as refeições serão baratas, Michelle Silva Almeida Garcia espera poder comprá-las, de vez em quanto, para servir arroz e feijão ao filho Samuel, 2 anos, e à filha Beatriz, 5 anos. “A sopa é boa, mas pelo preço da comida dá para comprar”, comenta.
Alguns clientes contumazes da entidade, no entanto, ainda ficarão no sopão. É o caso de Thomaz Tomie Sejimo, que a prefere. Por enquanto, Antonia Silva, cuidadora de idosos atualmente desempregada, também ficará com a opção mais antiga por conta das difíceis circunstâncias da vida.
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Bailão é pontapé inicial
Um bailão agendado para o próximo domingo, a partir das 14h, será o pontapé inicial para o projeto Barriga Cheia. Wllian & Osmano e Osmar & Osmarzinho recebem os convidados Porto Rico & Paraguai, Lusimar, Mateus, Rui, Edi, Renan & Neto, no Balneário do Cedro – situado no quilômetro 359 da rodovia Comendador João Ribeiro de Barros.
Toda a renda obtida com o evento será revertida à Casa da Sopa da Vila Dutra. Portanto, os interessados deverão levar alimentos ou pagar R$ 5,00. “A casa distribui 150 litros de sopa diariamente e alimentos, pães, leite, legumes, roupas e calçados com a ajuda da comunidade, empresas, imprensa, clubes de serviço, Polícia Militar e organizações de classe. Também promove festas, almoços e jantares, rifas e bingos organizados por voluntários”, explica Rose Lopes.
Ela reitera que, com o projeto Barriga Cheia, precisará ainda mais da colaboração de todos.