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Após sexto caso de gripe suína, escolas discutem volta às aulas

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 7 min

A Secretaria Municipal de Saúde de Bauru confirmou ontem o sexto caso de gripe suína - Influenza A (H1N1) na cidade. Trata-se do rapaz com idade em torno de 20 anos que está internado desde domingo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual (HE) em estado grave. Outras três pessoas estão internadas na cidade sob suspeita da doença. Com a volta às aulas, a partir de segunda-feira, a preocupação com aumento de casos aumenta. Hoje à tarde representantes de escolas municipais e particulares reúnem-se com autoridades de saúde para discutir medidas a serem adotadas visando evitar contágio da doença.

A reunião será com o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, e com a diretoria do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Heloísa Ferrari Lombardi. “Vamos colocar a situação atual d Influenza A em Bauru e explicar o novo protocolo. A reunião neste momento é para que as escolas possam orientar seus alunos e ficarem atentas à situação. Além disso, vamos discutir as estratégias a serem adotadas, se bem que eu acredito que essa parte vá partir mais das escolas do que de nós, pois cada uma tem a sua realidade”, explica Lombardi.

Os professores da rede estadual, por sua vez, já receberam orientações sobre a doença por meio de uma videoconferência transmitida pela Internet no último dia 8. Por enquanto, as escolas municipais, estaduais e particulares manterão o início das aulas nas datas previamente programadas.

Os 8.912 alunos da rede municipal de ensino fundamental voltam às salas de aula na próxima segunda-feira, 27 de julho. Os 8 mil alunos do ensino infantil retornam no dia 3 de agosto.

Na rede estadual, a data da volta às aulas depende do início das férias de 15 dias, a critério de cada escola. Mas, segundo a Secretaria de Estado da Educação, os 36.950 estudantes de Bauru devem voltar aos colégios nas próximas semanas. A rede particular de ensino mantém a volta às aulas para o dia 3 de agosto.

A secretária municipal de Educação, Majô Jandreice, e Gerson Trevisani, o Duda Trevisani, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo, explicam que as aulas estão mantidas a menos que as autoridades sanitárias aconselhem o contrário na reunião de hoje. Segundo Lombardi, este não será o teor da conversa e o adiamento das aulas não será necessário em Bauru.

O Ministério da Saúde e o Ministério da Educação recomendam que os estudantes brasileiros com sintomas de gripe sigam orientações médicas e evitem retornar às atividades escolares até estarem completamente restabelecidos. A orientação tem como objetivo reforçar a prevenção contra a nova gripe, evitando assim que alunos infectados contagiem colegas. Professores e diretores também devem ficar atentos e orientar estudantes com sintomas a retornar às suas casas.

Pais e responsáveis devem levar seus filhos ao médico ao perceberem os primeiros sinais de uma gripe, que são febre repentina, tosse, coriza, dores musculares, nas articulações e dor de cabeça. A reunião será no DSC, às 14h, quase em frente ao Hospital de Base.

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Sob suspeita

A Secretaria Municipal de Saúde recebeu na tarde de ontem, do Instituto Adolfo Lutz de São Paulo, o resultado de dois exames realizados com suspeitos da gripe suína em Bauru.

O caso de um rapaz de 20 anos foi confirmado e o de uma criança, internada em um hospital particular, foi descartado. O rapaz, sexta pessoa a contrair a doença na cidade, permanece na UTI do Hospital Estadual (HE) e não houve alteração em seu quadro clínico, segundo informou a assessoria de imprensa do hospital.

Também ontem foi internado um novo suspeito da doença no HE. O paciente é morador de Paranapanema e apresentou um quadro de doença respiratória grave e com risco de complicações.

Atualmente, quatro pessoas seguem internadas, duas no HE e duas em hospitais da rede particular. Destas, três aguardam os exames. Em todos os casos, a Secretaria da Saúde desencadeou medidas para monitorar quem teve contato com o paciente.

Com a confirmação deste último caso, o número de pessoas infectadas com gripe suína na cidade sobe para seis. Nos cinco casos anteriores, os pacientes foram tratados e otiveram alta.

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PSC distribui máscaras

Entre os vários pacientes que aguardavam atendimento no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru ontem à tarde, reclamando de demora na consulta, vários usavam máscaras cirúrgicas. Eles temiam estar com a gripe suína - Influenza A H1N1.

Logo na entrada estava Tereza Cristina Carvalho, 42 anos, com a máscara branca cobrindo a boca e o nariz. “Estou usando porque estou com gripe, aí eles me deram a máscara”, diz. Outra com máscara era Daniele Lopes Egriea, 22 anos, acompanhada da mãe. “Cheguei aqui meio-dia e ela foi atendida às 16h35, depois que fiz um barraco. Minha filha está com todos os sintomas da gripe suína e ninguém atendia. Ela está com febre alta, tosse e até falta de ar”, relata Cássia.

Embora o número de pessoas com máscara fosse grande, nem todas tinham a real noção de sua função protetora. Muitos pacientes acabavam tirando a máscara para conversar com os outros sem perceber que é assim, pelo contato com as secreções, que se transmite o vírus da gripe comum e da suína.

Apesar do tumulto, a Secretaria Municipal de Saúde informou que ontem, até as 16h45, foram realizados 287 atendimentos no PSC e 122 no Pronto Atendimento Infantil (PAI). O movimento é considerado normal pela secretaria, que informa que o tempo de espera pode aumentar em função de alguns consultas que, necessariamente, são mais longas.

A Secretaria de Saúde informou que o quadro estava completo: três clínicos gerais, um ortopedista e um cirurgião no PSC e quatro pediatras no PAI.

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Sem férias, escolas de educação infantil já tomaram precauções

Os pequeninos entre 5 meses e 6 anos que ficam em creches, berçários e escolas de educação infantil não têm férias. Como os pais precisam de um lugar para deixar os filhos enquanto trabalham, estas instituições não têm folga. Diante disto, diretoras, coordenadoras e proprietárias de escolas de Bauru já incorporaram à rotina algumas medidas de prevenção da gripe suína - Influenza A H1N1.

Normalmente nesses ambientes, as crianças têm muita proximidade física e compartilham objetos, situações ideais para a transmissão do vírus. Uma escolinha no Jardim Estoril adotou alguns procedimentos para minimizar o risco.

“Eles só usam copos descartáveis para beber água e lavam as mãos freqüentemente. Eu até comprei o álcool em gel e coloquei no banheiro para eles usarem. Mas, como não é recomendável deixar na mãozinha das crianças porque elas levam à boca e aos olhos, elas passam o gel e depois enxágüam a mão”, conta Letícya Cristhofoli, proprietária da escola.

Em outra unidade escolar, a equipe se preocupa em manter o ar circulando. “O contato entre eles é inevitável. O que nós fazemos é deixar as janelas sempre abertas para o ar circular. Graças a Deus, a situação está tranqüila e ainda não tivemos nem epidemia de gripe comum este ano”, relata Cristina Barbos, auxiliar administrativa.

Vanessa Domiciano Sobrinho, proprietária de uma terceira escola infantil, explica que o estabelecimento já adotava medidas que podem colaborar na prevenção da gripe. “Aqui o lanche é igual para todo mundo. Incluimos uma taxa na mensalidade e oferecemos a merenda. Assim não tem problema de uma criança querer o da outra. Além disso, os copos são descartáveis e ficamos atentas à higiene deles”, afirma.

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Caminhoneiros

Das 34 mortes registradas no Brasil devido à gripe suína - Influenza A (H1N1), três vítimas são caminhoneiros. Preocupada com o índice, a Federação Nacional dos Caminhoneiros Autônomos (Fenacam) lançou, nesta semana uma campanha de orientação e prevenção destinada aos funcionários do setor.

Visando evitar a contaminação dos mais de dois milhões de caminhoneiros, entre autônomos e contratados, que circulam pelo Brasil, a federação passou a distribuir cartilhas com informações básicas sobre as maneiras mais eficientes de prevenir o vírus. Também estão sendo distribuídas máscaras e gel anti-séptico para os motoristas que partem rumo a locais de maior risco de contaminação.

Na cidade, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Bauru e Região (Sindbru) informou que ainda não estão sendo tomadas medidas deste tipo na região.

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