Agudos - O jovem Vinícius Henrique Gonçalves, 21 anos, que confessou ter matado e decapitado Vanderlei Colaço, 38 anos, na noite da última quarta-feira, disse à polícia que agiu sob pressão de um barulho que lhe atingia o peito para a prática do homicídio. O crime que abalou a população de Agudos (13 quilômetros de Bauru) não teria motivação externa, mas um “pedido interno” que para ele era sinônimo de ameaças. Ele não soube explicar de onde partiam as tais intimidações.
Segundo o delegado que preside o inquérito, Jáder Biazon, o acusado disse em depoimento que além do “barulho no seu peito” sentia que a cidade inteira estava ameaçando-o e todo mundo queria matá-lo. Ele relatou, ainda, que quando passava na rua, todo mundo dizia que ia dar um tiro no peito dele. Para fugir das ameaças, ele pegou a faca da cozinha da casa dele e saiu decidido a matar a primeira pessoa que encontrasse.
A primeira pessoa que ele encontrou foi a vítima que estava dormindo sob o viaduto, pessoa que ele não conhecia e atacou à traição. “Ele contou que acendeu um cigarro e em seguida partiu para cima de Colaço. Aplicou o primeiro golpe que atingiu o tórax da vítima.”
Colaço teria reagido e entrado em luta corporal com o acusado. “Como o golpe não foi profundo, a vítima tentou fugir da agressão. Mas foi atingido por outro golpe, desta vez no braço. Mesmo ferido e perdendo sangue, a vítima ainda tentou sair do local. Caminhou alguns metros e tentou pular uma grade para ganhar a rua. Momento em que caiu debruços.”
Gonçalves contou ao delegado que, a partir daí, uma pressão maior tomou conta dele e o medo de não matar a vítima, teria obrigado-o a decapitá-lo. “Ele contou que a faca era fraca e poderia quebrar e ele não conseguiria matar. Decidiu cortar a cabeça da vítima, para ter certeza que ela havia morrido.”
Após separar a cabeça do corpo, Gonçalves caminhou cerca de 30 metros com ela nas mãos e a atirou em um matagal. Retornou ao local do crime e decidiu queimar a camisa que usava, porque havia manchas de sangue. Usou o isqueiro para dar fim a uma das provas.
A caminho de casa, ele se livrou da faca, jogando-a em uma sucata de trem. Ao ganhar a rua, pediu ao primeiro morador que encontrou uma camisa, alegando que havia participado de uma briga e que a sua camisa tinha sido rasgada. Foi para rodoviária, mas não encontrou passagens para sair da cidade. Voltou para sua casa e dormiu.
No dia seguinte, última quinta-feira, Gonçalves acordou e, ao perceber que seu tênis e sua calça continham manchas de sangue, tratou de lavá-los e foi aí que bateu o arrependimento pelo que tinha feito. Procurou a Polícia Militar e se entregou.
Transtorno mental
A riqueza de detalhes de um crime bárbaro como esse surpreendeu os policiais. Para o delegado Jáder Biazon, as declarações do acusado têm uma dose de transtorno mental, uma vez que, embora seja usuário de entorpecente, confessou que não tinha usado drogas, antes do crime. “Ele tem várias passagens pela polícia, uma ficha de antecedentes com várias páginas, por furto, porte de arma e tentativa de homicídio.”
Mesmo com a confissão, o delegado junta provas para sustentar o inquérito. “A faca, as roupas e o tênis foram apreendidos e serão periciadas.”
Algumas testemunhas foram ouvidas e confirmam a versão do acusado, segundo o delegado. “A pessoa que doou a camisa para ele foi chamada e, de imediato, reconheceu ele e a camisa. Pedaços da camisa queimada foram encontrados no local do crime.”
A prisão temporária por 30 dias do acusado foi decretada e ele foi encaminhado à cadeia de Duartina. Nesse período, o delegado pretende concluir o inquérito com as provas periciais e testemunhais.