Piratininga - O captador de imóveis Éder Luís Gonçalves acusa o pronto atendimento de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) – espécie de pronto-socorro que atende a população do município - de suposta omissão de socorro porque não havia médico de plantão quando o pai dele, de 60 anos, foi levado em estado grave na quarta-feira. O paciente teve um segundo derrame cerebral - Acidente Vasculhar Cerebral (AVC) - e o quadro se agravou. O idoso estava internado até ontem no Hospital Estadual (HE) de Bauru.
A Secretaria Municipal de Saúde de Piratininga confirma que a médica de plantão pediu demissão e não tinha médico no período da manhã de anteontem, mas nega a omissão de socorro.
Ontem, Gonçalves procurou a delegacia de Polícia Civil e pediu abertura de procedimento investigatório para apurar a responsabilidade da suposta omissão de socorro do pronto atendimento, porque o responsável pela administração deveria ter escalado um médico substituto no plantão. No mesmo dia, outros pacientes também não foram atendidos, segundo ele.
O caso ocorreu na manhã de quarta-feira. O paciente de 60 anos sentiu-se mal em casa e foi levado pelo filho ao pronto atendimento, quando chegou ao local veio a informação de que não havia médico de plantão.
De acordo com o filho, a demora no atendimento médico pode ter causado o segundo AVC em seu pai. Gonçalves conta que há nove meses o pai foi vítima de um AVC, mas já estava recuperado.
O pai estava com pressão alta por isso precisou do atendimento médico. O serviço de saúde de urgência é mantido com recursos da prefeitura em convênio com a Santa Casa de Piratininga.
“Quando chegamos, fui informado de que não havia médico de plantão e outro (médico) só chegaria apenas às 13h. Então liguei para a médica Carmem (Arroyo) que estava de saída para Bauru e foi até o pronto atendimento”, conta. “Ela colocou meu pai em uma sala e ficou acompanhando a situação dele até as 13h, quando o médico do pronto-socorro chegou e assumiu o caso. Meu pai ficou no local até as 17h, quando surgiu uma vaga no Hospital Estadual. Além de prestar socorro ao meu pai, ela ajudou mais duas pessoas que aguardavam atendimento”, acrescenta.
O pai de Gonçalves foi internado na Unidade Intensiva de Tratamento (UTI) do HE, onde foi constatado que ele teve outro AVC, mas desta vez hemorrágico. “Eles explicaram que meu pai está com sangue na cabeça e que a recuperação desta vez será mais difícil”, conta.
Ontem, o pai de Gonçalves foi transferido para um quarto, mas dificilmente irá se recuperar sem seqüelas. “Por isso estou aqui. Quero saber de quem é a culpa. Se eu não conhecesse a Dr. Carmem, como ficaria meu pai? Ele iria morrer? Quem se responsabiliza pela atual situação dele?”, questiona.
A médica Carmem Arroyo disse ontem à tarde que quando atendeu o paciente no pronto atendimento ainda não tinha se instalado o quadro de AVC no paciente. Ela foi ao local por volta das 10h, mas o paciente teve piora no quadro e, só por volta das 17h30, conseguiu a vaga para internação no HE. “Não cabe a mim julgar a falta de médico, mas não deixa de ser uma falta grave e, persistindo essa situação no pronto atendimento, quem vai sair prejudicado são os pacientes pobres. É preciso apurar o que está ocorrendo”, disse a médica e vereadora, integrante da Comissão de Saúde da Câmara de Piratininga.
A Secretaria de Saúde alega que, no último concurso público, não foi exigido um número mínimo de médicos para os plantões.
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Demissão de médico
A secretária municipal de Saúde de Piratininga, Viviane Wentz Rocha, confirma que, na quarta-feira data do fato, a médica que cumpria plantão no pronto atendimento pediu demissão do cargo e, na ocasião, a prefeitura não conseguiu outro profissional para preencher o quadro.
A médica tinha sido contratada depois de passar por concurso público, mas há dois meses não tirava férias, porque a Secretaria de Saúde não conseguia contratar um substituto. Nem mesmo a própria profissional ligando para outros colegas conseguiu convencê-los a trabalhar no pronto atendimento. Ela, então, pediu demissão e deixou o cargo.
Segundo a secretária, na quarta-feira os casos dos pacientes que não eram de urgência e emergência foram encaminhados ao posto de saúde, porque havia três médicos atendendo. “Muitas pessoas procuram o pronto-socorro para atendimentos que não são de urgência e emergência, apenas porque quando vão para lá não precisam aguardar consulta ou ficar na fila”, conta.
No pronto atendimento, Viviane informou que havia uma ambulância à disposição para levar os pacientes mais graves para Bauru. “Mas a família da vítima não quis que ele fosse levado para Bauru. Eles disseram que a doutora (Carmem Arroyo) atenderia o familiar. E ela apenas colocou o paciente na sala de emergência e acompanhou, não prescreveu nenhum medicamento”, afirma a secretária.
“Quando o nosso médico chegou, ele medicou o paciente que aguardou a central de vagas liberar para a internação em Bauru. Mesmo que tivesse um médico no período da manhã, o paciente teria que aguardar vaga no hospital de Bauru”, acrescenta. Segundo a secretária, os médicos concursados de Piratininga não preenchem o quadro necessário no setor de urgência e emergência.