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Oposição agora quer cassar Sarney

Folhapress
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Brasília - As novas denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), fizeram a oposição mudar de tática: DEM e PSDB deixarão de pedir seu afastamento da presidência e passar a defender a cassação de seu mandato. Para isso, decidiram ingressar no Conselho de Ética com representações por quebra de decoro parlamentar. Cumprida a promessa da oposição, Sarney enfrentará ao menos seis processos no conselho, um a mais que seu aliado Renan Calheiros (PMDB-AL). Acusado em 2007 de ter contas pessoais pagas por um lobista, Renan foi absolvido - após renunciar à presidência - graças ao apoio do PMDB e do PT, que hoje sustentam Sarney.

Partidos da oposição decidiram ir ao conselho depois da revelação de conversas telefônicas entre Sarney, um de seus filhos, Fernando, e a neta, no qual eles tratam da nomeação do namorado dela para uma vaga no Senado. Henrique Dias Bernardes foi contratado por ato secreto oito dias depois. Os diálogos foram divulgados pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

O Conselho de Ética do Senado é formado por maioria governista e presidido pelo senador Paulo Duque (PMDB-RJ), segundo suplente de Sérgio Cabral (PMDB). Duque, que considera os atos secretos “uma bobagem”, tem poderes para arquivar as representações se considerar que os fatos relatados são de período anterior ao mandato ou improcedentes. Da decisão cabe recurso ao próprio plenário do conselho.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que o número de representações pode ser ainda maior, porque o partido já tomou a decisão política de ingressar no conselho contra Sarney a cada denúncia nova que aparecer. Segundo o líder tucano, Arthur Virgílio (AM), o partido irá transformar em representação todas as quatro denúncias que ele apresentou ao conselho e deve fazer isso já na próxima semana, ainda durante o recesso, para acelerar o processo.

Sarney é acusado, entre outras coisas, de tráfico de influência para contratar parentes e conhecidos no Senado, de se beneficiar dos atos secretos, de receber auxílio-moradia ilegalmente e de ter mentido ao informar que não tem gerência sobre a Fundação José Sarney.

O DEM também decidiu pedir a cassação do mandato de Sarney. O líder do partido, José Agripino (RN), irá reunir a bancada para discutir o assunto.

Três dias depois de divulgados os diálogos que ligam Sarney aos atos secretos, o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), divulgou nota na qual defendeu a investigação dos fatos e do vazamento das conversas interceptadas pela PF.

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Sem ilegalidade

Brasília - Apontado como o principal motivo do agravamento da crise em torno do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Henrique Dias Bernardes, 27 anos, namorado da neta do peemedebista, sustenta que não vê ilegalidade na interferência de Sarney em sua contratação na Casa Legislativa.

Nomeado por ato secreto para um cargo na Diretoria Geral, Bernardes foi deslocado para a área administrativa no serviço médico do Senado. Ele diz que trabalha oito horas diárias e não demonstra constrangimento com a divulgação dos áudios da Polícia Federal que indicariam que o presidente do Senado negociou sua contratação. “Todos os parlamentares têm direito a cargos comissionados. São para pessoas de confiança. Não tenho parentesco com ninguém. Nem de terceiro grau. Não há ato ilícito nenhum”, disse em entrevista à reportagem.

O servidor afirmou que não pensa em deixar o trabalho na direção da Secretaria de Assistência Médica e Social do Senado (SAMS). Sem querer comentar a ligação com Maria Beatriz Sarney, neta do presidente do Senado, Bernardes disse que não conquistou o cargo pela indicação do peemedebista, mas também pelo currículo. Pessoas próximas a Bernardes dizem que o namoro terminou.

Formado em física e pós-graduado em contabilidade e economia na Universidade de Brasília (UNB), ele acredita que é gabaritado para a função.

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