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Entrevista da semana: Vilma Borges: Na 2ª profissão, a realização de um sonho

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

Um sonho de infância realizado aos 44 anos. Partindo da idéia de que nunca é tarde demais, Vilma Borges, quando já estava prestes a se aposentar como bancária, realizou o sonho que a acompanhava desde os 7 anos: o de ser jornalista. O primeiro aparelho de TV da família revelou não somente um mundo novo. As primeiras imagens, ainda em preto e branco, despertaram na então menina o interesse pela área da comunicação. Mas a faculdade de jornalismo deu lugar à de letras porque Vilma, filha única, não quis deixar os pais para fazer o curso dos seus sonhos em outra cidade. Na época, Bauru não tinha essa opção.

O tempo passou e um concurso público para trabalhar na Nossa Caixa pareceu a melhor opção. E lá se foram 20 anos. Pouco antes da aposentadoria, o desejo pela comunicação social, que ela sempre acalentou, reacendeu. Vilma prestou vestibular, cursou jornalismo e tornou-se colunista social, profissão da qual ela diz se orgulhar e ser apaixonada. A vida familiar, amorosa, viagens e hobbys também fazem parte da entrevista que Vilma concedeu ao Jornal da Cidade. Leia os principais trechos e conheça um pouco mais da bauruense que percorre os eventos mais badalados da cidade.

Jornal da Cidade – Quando menina, o que você sonhava ser quando crescesse?

Vilma Borges – Eu sempre quis ser jornalista.

JC – Como surgiu o interesse pela profissão?

Vilma – Eu sempre estive ligada em notícias de telejornais. A primeira TV que tivemos em casa foi montada pelo meu pai. Na época, eu morava em São Paulo e tinha 7 anos. Fiquei encantada com as notícias da televisão, assim como sou ainda hoje e, isso, me despertou o desejo pelo telejornalismo. Além disso, sempre gostei do novo e fui muito curiosa.

JC – E você já trabalhou com telejornalismo?

Vilma – Trabalhei por três anos na TV Preve. Fiz o primeiro programa deles, um documentário sobre a criação do jornal “Diário de Bauru”. Depois, a grade foi se formando e trabalhei como repórter, apresentadora e produtora.

JC – Quais foram seus outros trabalhos na área?

Vilma – Trabalhei no “Diário de Bauru” e fiz alguns trabalhos como assessora de imprensa. Hoje sou colunista social da revista Atenção e tenho um portal na Internet. Mas, antes do jornalismo, fui bancária por 20 anos.

JC – Quando decidiu fazer faculdade de jornalismo?

Vilma – Eu tinha 45 anos quando me aposentei como bancária. No passado, eu não fiz jornalismo porque o curso não existia em Bauru e eu não me sentia preparada para deixar meus pais, já que sou filha única. Então, fiz faculdade de letras, prestei concurso público e fui trabalhar na Nossa Caixa. Quando me aposentei, voltei a pensar no jornalismo e prestei vestibular na Universidade Estadual Paulista (Unesp) aqui da cidade. Já estava separada do meu ex-marido e me senti livre e forte para realizar sonhos. Iniciei a faculdade de direito, também, mas não gostei e parei o curso.

JC – Então, a profissão atual é um sonho de infância realizado?

Vilma – Sim, com certeza!

JC – O que você acha sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão estabelecida recentemente pelo Supremo Tribunal Federal (STF)?

Vilma – Acredito que, no contexto geral, não vai mudar nada. Não achei correto. Muitas pessoas que não têm o diploma já estavam fazendo parte do processo midiático por capacidade e por já terem seu lugar no mercado. O diploma, sozinho, não dá garantias para uma pessoa trabalhar como jornalista, mas a grade curricular da faculdade é fundamental, sim. Eu achei uma resolução infeliz e acredito que vai haver uma reviravolta.

JC – Foi difícil entrar no mercado de trabalho da comunicação?

Vilma – Muito difícil. Bauru não dá muitas oportunidades e há muitos jovens disponíveis no mercado. Eu já tinha mais de 40 anos e nenhum currículo na área. Foi quando surgiu uma vaga de revisora no “Diário de Bauru”. Fiquei na função por uns três meses, até quando me ofereceram a vaga de colunista social e uma oportunidade na TV Preve.

JC – Por que a paixão por coluna social?

Vilma – Primeiro é pelo contato humano. Depois, por poder escrever, contar a histórias das pessoas do lugar em que vivo. O meu colunismo não é de “estrelismo”. É do dia-a-dia. Eu valorizo todas as classes sociais e dou muita importância para as pessoas que fazem a cidade acontecer, independente da profissão ou posição social. Acredito que isso deve ser valorizado em uma coluna social. Sou filiada à Apacos (Associação Paulista de Colunistas Sociais) e Febracos (Federação Brasileira de Colunistas Sociais).

JC – Tem algum projeto profissional a ser realizado?

Vilma – Já está no ar desde março! É o site www.vilmaborges.com.br

JC – Como surgiu a idéia do site?

Vilma – Surgiu quando eu fui a um congresso de colunistas sociais, em Cuiabá, no ano passado. Conheci muita gente lá e percebi que a maioria dos colunistas tinha site. Eu já sentia essa necessidade porque duas páginas ao mês, que tenho na revista Atenção, são insuficientes para colocar todo o material que eu reúno nos eventos que cubro. Eu sentia que esse material humano e as informações sobre a cidade se perdiam. Então, decidi criar o site.

JC - Quais são os destaques do site?

Vilma – É uma revista eletrônica com vários blogs. Eu assino seis e tenho três colaboradores. Padre Beto escreve sobre filosofia e ética, Maurício, meu namorado, que mora em São Paulo e, apesar de ser engenheiro gosta e entende muito sobre música, escreve sobre rock e blues. E tem, ainda, o blog da Carlinha Fortuna, uma amiga minha que também é jornalista e escreve sobre literatura, já que é editora de livros. Nele, as pessoas encontram dicas, fotos, lançamentos de produtos, informações sobre cinema e música. Enfim, uma infinidade de informações sobre a cidade e o mundo. Há muitas imagens postadas neles porque acredito que na Internet as pessoas se voltem mais para o visual.

JC – A adaptação ao mundo online foi difícil?

Vilma – Até que não. Apesar de, antes, só saber usar e-mail e MSN, eu aprendi a navegar e estou me adaptando rápido ao mundo online.

JC - Você gosta de música?

Vilma – Sim, gosto muito de música. Meus estilos musicais preferidos são rock nacional e MPB.

JC – Você cita, em seu site, que é uma pessoa solidária. O que você faz pelo próximo?

Vilma – Sou solidária sim, mas nada muito sistemático. Eu pratico muita coisa de forma espontânea e sempre no anonimato.

JC – Você também dá dicas de viagens. Já viajou muito?

Vilma – Amo viajar e já viajei muito. Acredito que o Brasil é maravilhoso e estou sempre buscando conhecê-lo. Gosto das regionalidades, das diversidades e dos sotaques. A natureza do País é algo fantástico, também.

JC – Qual foi a sua viagem mais interessante?

Vilma – Uma que fiz para Salvador. Talvez por ter descendência baiana, sempre tive vontade de ir ao Estado. Eu fiquei emocionada quando cheguei ao aeroporto da capital da Bahia.

JC - Essa foi a viagem mais marcante?

Vilma – Foi. Realmente fiquei muito emocionada com a visita à terra natal de meu avó paterno.

JC - Sonha em conhecer algum país em específico?

Vilma – Portugal. Também tenho descendência portuguesa e quero muito conhecer a Europa. Mas o primeiro país tem que ser Portugal. Aprecio muito a culinária e a cultura portuguesa.

JC - Qual é o espaço que você reserva para a vida pessoal?

Vilma – Realmente o trabalho ocupa a maior parte do meu tempo. Não consigo organizar minhas horas e destiná-las ao trabalho. Por exemplo: eu atualizo o site até de madrugada. Quando eu trabalhava no banco eu era disciplinada porque tinha que bater cartão. Quando sai de lá, eu jurei que nunca mais teria horário para as coisas. E não tenho. Mas tenho responsabilidade e consigo realizar tudo: trabalhar, ficar com a família, namorar, viajar, ver meus amigos. Acho que a pessoa não deve se prender a horários e sim ter responsabilidade para realizar as tarefas necessárias. Para você ter uma idéia, sou eu quem organiza a minha casa.

JC - Sobra tempo para cuidar da casa?

Vilma – Faço sobrar. Eu gosto muito de decoração e a de casa, eu mesma fiz! Para falar a verdade, já tive uma loja de flores artificiais e fazia decoração para muitos bauruenses. Minha casa é muito parecida comigo. É lá que eu trabalho, recebo meus netos gêmeos Vinícius e Augusto, que dormem e brincam comigo, e vivo com minha filha especial. Assim, ela precisa ser bem alegre e vibrante.

JC - O que a mulher atual precisa ter para ser feliz?

Vilma – A tal da realização pessoal e profissional. É preciso as duas coisas para ser feliz. Pessoalmente é necessário ter uma família que te aceite como você é. Por exemplo, eu sou uma avó diferente. Não faço tricô ou crochê. Chego em casa de madrugada, mas danço e brinco com meus netos. Me sinto diferente e minha família me ama como eu sou. Já tive alguns namorados sérios. Com o Maurício, já namoro há cinco anos.

JC – Pretende se casar novamente?

Vilma – Costumo dizer que, em time que está ganhando, não se mexe.

JC - Você é uma mulher realizada?

Vilma – Sim. Sou realizada profissionalmente, tenho duas filhas excelentes, dois netos que são lindos e me dão muita alegria. A Thalita é uma menina especial que esbanja alegria. Basta olhar para ela para saber o quanto ela é feliz e amada. Ela tem suas limitações, mas é muito feliz. Faz tratamentos e terapias desde quando tinha 1 ano e meio de idade. Talvez por eu aceitar a condição dela, todo progresso sempre me deixou feliz. Acho que, quando você tem uma criança especial, a expectativa tem que ser pequena porque qualquer progresso vai te deixar feliz. Não dá para pensar que ela vai recuperar o “atraso” com os tratamentos. Se eu vou às festas da Apae, por exemplo, e a vejo dançando, isso para mim é uma enorme alegria. Ela tem saúde, canta, dança, anda de bicilceta, pratica esportes. É feliz!

JC - Deixaria um recado para mães que têm filhos especiais?

Vilma – Eu diria: “Deus não escolhe os capacitados, ele capacita os escolhidos”.

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Perfil

• Nome: Vilma Borges

• Idade: 58 anos

• Local de Nascimento: Bauru

• Signo: Sagitário

• Filhos: Thalita e Thaís

• Hobby: Viajar

• Livro de cabeceira: “Notebook”

• Filme preferido: “Uma linda mulher” e “Proposta indecente”

• Estilo musical predileto: MPB

• Time: Corinthians

• Para quem dá nota 10: Aos pais e educadores de crianças especiais

• Para quem dá nota 0: Para o modelo de saúde pública atual

• E-mail: vilmaborges@uol.com.br

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