Apesar de, atualmente, as entidades assistenciais contarem com um bom número de voluntários, existe muito serviço para ser feito e muita gente para ser atendida. Boa parte das entidades sofre com a falta de comprometimento dos voluntários. “Ser voluntário é, acima de tudo, ter comprometimento com o trabalho que foi proposto”, avisa Anunciata dos Santos Crepaldi, diretora do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac). A entidade conta com quase mil voluntários, mas a diretoria avisa que ainda há espaço para quem queira ajudar.
A 1.ª Igreja Presbiteriana Independente de Bauru pretende, em breve, desenvolver um forte trabalho na área do voluntariado. O reverendo Antônio Pedro de Moraes explica que é preciso ser feito um preparo das pessoas que irão atuar como voluntários.
“Vamos fazer um chamamento dentro da própria igreja e, assim, dar um grande passo nesse sentido”, explica. Moraes também chama a atenção para o comprometimento necessário com o trabalho voluntário. “É um sonho nosso atuar também nessa área junto à comunidade”, comenta.
Mesmo não realizando nenhum trabalho voluntário efetivamente, a igreja irá oferecer um curso para quem pretende atuar nessa área ajudando pessoas dependentes de drogas e álcool. “Estamos organizando um curso sobre missões urbanas, aberto tanto para a comunidade evangélica quanto para qualquer cidadão interessado em se especializar um pouco antes de iniciar um trabalho junto a essas pessoas”, explica o reverendo.
Para justificar a necessidade de mais voluntários, a diretora do Ceac explica que a maior parte dos voluntários vai até a entidade e permanece durante algumas horas em um dia específico da semana.
Por isso, Anunciata Crepaldi avisa que sempre haverá vaga para quem quiser se comprometer de fato com a causa voluntária - mesmo que a pessoa não tenha nenhuma formação profissional ou não tenha nenhum talento específico, como cozinhar, pintar ou qualquer outro talento. “Tem muita gente que precisa apenas de uma companhia, alguém para desabafar”, conta.
Ela conta que há pouco tempo foi procurada por um garoto, atendido por um dos núcleos mantidos pela entidade, que queria apenas conversar. “Ele me procurou para desabafar, quis falar que não estava contente com a separação dos pais e sentia a necessidade de mudar de casa”, lembra. “São assuntos simples, mas que para quem precisa desabafar, quando encontra alguém disposto a ouvir é como se tirasse um peso enorme das costas”, completa.
Outra entidade que precisa muito do auxílio de voluntários, apesar de contar com a colaboração de vários profissionais contratados, é a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). A entidade, que atende centenas de crianças em Bauru, consegue oferecer um serviço de qualidade e humanitário graças ao trabalho de pessoas compromissadas com a entidade.
A presidente da associação na cidade, Olga Bicudo Tognozzi, que é voluntária há 33 anos, se orgulha do trabalho transparente que a entidade faz na cidade. “Só é voluntário quem recebe um desígnio de Deus. É um privilégio”, afirma a presidente.
Ela conta que, antes de se tornar voluntária, não fazia planos para esse tipo de atividade para depois da aposentadoria. “Comecei para ficar apenas dois anos e já estou há todo esse tempo”, brinca. Ela afirma que o voluntariado é envolvente e que, quem se envolve com ele, abre mão de si próprio. “Além do corpo de colaboradores que a Apae possui, contamos com diversos voluntários e principalmente com a ajuda voluntária, constante e presente da comunidade”, completa.
Edmilson Pinotti, presidente da Associação das Entidades Assistenciais e de Promoção Social (Aeaps), que congrega 63 entidades beneficentes de Bauru, também enaltece a importância do trabalho. De acordo com ele, Bauru não é uma cidade rica, mas tanto o comerciante quanto o morador em geral sempre correspondem bastante quando são chamados para o trabalho voluntário. “A população é bastante consciente do seu trabalho enquanto voluntário”, garante.
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Cuidado voluntário
Ipê roxo e amarelo, oiti, ficus e até pau Brasil. Essas são algumas das variedades de árvores que podem ser encontradas numa praça que, se não fosse o trabalho voluntário de Luiz Antônio de Oliveira Santos, poderia facilmente ser confundida com um terreno baldio.
Há pelo menos 10 anos, um morador do Núcleo Habitacional Mary Dota, na quadra 2 da rua Maria Elísia Nogueira de Oliveira, adotou a praça que fica em frente à sua residência e, com recursos próprios, começou a cuidar do local. “Banco do meu bolso os gastos com a manutenção do local. A água utilizada para molhar as mudas plantadas vem da minha casa”, conta Santos.
Sem os recursos necessários, o morador cuida apenas de uma parte da praça que nem mesmo identificação tem. Uma parte da praça continua, infelizmente, servindo como depósito de entulhos. “Tudo aqui é feito na enxada porque as condições do terreno não permitem a entrada de uma máquina, que facilitaria a limpeza do local”, lamenta.
Santos conta que por diversas vezes procurou auxílio da prefeitura para que fosse realizado o acerto do terreno com uma máquina, mas nada foi feito até agora. “Eles me propuseram adotar o local, mas não tenho condições de fazer todas as benfeitorias necessárias pagando do próprio bolso”, explica.
Apesar da dificuldade, o morador continua cuidando do local e plantando cada vez mais mudas de árvores que, em breve, darão um colorido diferente à praça. Assim como Santos, pela cidade existem diversas pessoas que investem nos cuidados de praças e canteiros e fazem o trabalho de maneira anônima.