Ser

Ocupados demais para apreciar o ‘grande feito’

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Quando paramos de buscar insistentemente a satisfação de nossos desejos e a realização do “grande feito” capaz de dar sentido às nossas vidas e nos concentramos, em vez disso, tentando preencher nossos dias com momentos que nos gratificam, achamos a única resposta possível à pergunta sobre o sentido da vida.

Para o rabino Harold Kushner, a resposta não é escrever grandes livros, acumular enormes fortunas ou alcançar grande poder. Segundo ele, é saborear a beleza dos momentos que passam, o pôr-do-sol, as folhas que mudam de cor nas árvores, degustar a comida calmamente e se sentar sob o Sol. É saborear esses momentos, em vez de perdê-los porque estamos ocupados demais.

Kushner diz que não existe apenas uma resposta para esses problemas, mas várias respostas. O amor, a alegria de trabalhar, os prazeres simples da comida, das pequenas coisas que tendem a ficar perdidas ou serem atropeladas na correria do dia-a-dia.

O rabino escreve em seu livro “Quando tudo não é o bastante” que um almoço tanto pode ser uma refeição rápida, tal qual a parada de um piloto de corrida em seu box, quanto a oportunidade de saborear o milagre que a terra, as chuvas, as sementes e a imaginação humana podem operar em nosso paladar. “Temos apenas que ser sábios o bastante para que possamos reconhecer o milagre, em vez de passar correndo por ele em busca de ‘alguma coisa importante’”, sugere.

Segundo Kushner, as coisas começarão a mudar para melhor quando o executivo se tornar menos interessado na próxima promoção na hierarquia da empresa em que trabalha e passar a se preocupar em encontrar uma forma de traduzir seu sucesso numa maneira de viver em que se sinta bem.

O escritor diz que ele próprio teve de mudar de atitude quando se viu diante desse dilema. Quando um de seus livros transformou-se num best-seller internacional, o rabino diz que ganhou fama e fortuna. O sucesso o deixou “absurdamente ocupado” por alguns anos e, como conseqüência, isso trouxe prejuízos para sua saúde, no convívio com a família e em outras atividades.

Quando percebeu que a fama estava prejudicando algumas das coisas que mais prezava, Kushner teve de separar o desejável do indesejável e decidir como gastaria seu tempo e a energia em meio a tanto sucesso. Na opinião do escritor, experimentar o significado da vida em poucas e pequenas coisas, todos os dias, faz mais por nossas almas do que uma única experiência avassaladora.

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