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Para psicanalista, homem é insatisfeito por natureza

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O homem é um insatisfeito por natureza e é isso que nos diferencia dos outros animais. A afirmação é do psicanalista e psicoterapeuta Wilson Siqueira. Segundo ele, essa insatisfação é tanto para o bem quanto para o mal.

A faceta negativa da insatisfação é quando as pessoas querem ser o que não são, quando tornam-se consumistas vorazes e por conta disso enfrentam problemas financeiros, ou quando a família é colocada em segundo plano porque a pessoa está tão ocupada tentando se satisfazer que não encontra tempo para cuidar de si mesmo, muito menos da família.

O lado positivo, segundo Siqueira, é que a insatisfação também pode ser sinônimo de progresso. Ele lembra que a descoberta do fogo foi uma conseqüência do descontentamento do homem das cavernas. Da mesma forma, a insatisfação levou à descoberta da roda. Daí surgiu a carroça. Da insatisfação com a carroça surgiram os automóveis. Da insatisfação com os automóveis surgiu o avião, depois o jato e, assim, em outras áreas. “De certa forma, a insatisfação nos faz evoluir. Ela tem um lado sadio e evolutivo”, diz o psicanalista.

São dois lados da mesma moeda, mas com valores diferentes. A insatisfação com o que temos pode gerar inveja. Historicamente, uma parte da sociedade sempre procurou viver de aparências. A situação profissional e pessoal não lhes permitem certas regalias. Mesmo assim, querem sempre parecer ser o que não são.

Siqueira lembra que, antigamente, os nobres se diferenciavam dos plebeus pelas roupas que usavam. Os nobres tinham roupas com bordas de ouro ou com pedrarias. Hoje, segundo ele, os nobres se diferenciam dos plebeus pelo uso das grifes. “Por isso, a pirataria faz tanto sucesso. Muitos querem parecer como os nobres mas não têm dinheiro suficiente para isso. Então, usam produtos falsificados”, opina.

O psicanalista cita ainda outra fonte geradora de insatisfação. Esta ocorre dentro da esfera familiar, quando os pais cobram demais de seus filhos e nunca dirigem a eles um elogio quando vencem algumas barreiras. Para Siqueira, a tendência é que esse filho cresça sentindo-se obrigado a provar o tempo todo que é bom, não só para os pais, mas para a mulher, para os professores, para os chefes, enfim, para a sociedade. “É um indivíduo com grandes chances de estar sempre insatisfeito, porque ele sempre foi cobrado e por isso passa a se cobrar o tempo todo, mas nada do que ele faz está bom, às vezes até por uma sensação de inferioridade”, comenta.

Na opinião do psicanalista, cultivar o lado religioso é uma forma da pessoa controlar essa insatisfação. Isso porque a religião, seja ela qual for, incentiva a meditação e a busca pela paz interior. “Com isso, a pessoa fica menos ansiosa e menos incomodada com esse bichinho do carpinteiro que fica comendo a gente por dentro.”

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