Ser

A satisfação passa pelo equilíbrio, afirma padre

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Nós somos um corpo espiritualizado ou, se preferir, um espírito corporificado. Quem não trabalha essa associação de forma equilibrada, fatalmente chegará à conclusão de que tudo não é o suficiente, que tudo não basta para ser feliz.

Na opinião do padre Milton César Carraschi, para ser feliz é preciso dosar a vida na matéria e no espírito e entender que as duas se entrelaçam. “Pelo que a gente vê, quase 100% das pessoas vivem a vida pautados na materialidade. Trabalham porque querem ter uma casa melhor, ter um carro legal, querem comprar roupas. Enfim, todo o seu fazer vai em direção ao seu corpo. A felicidade passa pelo seu corpo”, analisa.

Porém, nem todos vivem nessa perspectiva, segundo o padre. Outros vivem em função do espírito, ou seja, eles sabem que precisam do alimento, da casa, do carro, mas sabem também que isso não é tudo, que é apenas um meio cujo objetivo é transcender a própria existência do corpo.

“Não estou querendo dizer que aquele que vive em função do espírito é mais feliz que a pessoa extremamente materialista. Aparentemente, o materialista é mais feliz. A diferença é que aqueles que vivem em função do espírito podem não ter todos os bens materiais, mas vivem com um certo equilíbrio.” De acordo com o padre, aqueles que vivem apenas no mundo da materialidade tendem a ser mais descontrolados por querer possuir sempre.

O viver dessas pessoas está pautado em sempre querer ter mais, em alcançar status dentro da sociedade. Carraschi fala que para se ter status é preciso ter dinheiro. Para ter dinheiro é preciso um bom emprego e isso se torna a meta da vida de muitos. “Essas pessoas vivem para ter. À medida em que elas vão conquistando seus objetivos, vão se sentindo realizadas, mas não felizes”, afirma. Na opinião dele, para as pessoas chegarem ao estágio da felicidade plena não basta apenas ter. É preciso se realizar como pessoa, sentir que faz ou fez alguma diferença no mundo, como sustenta o rabino Harold Kushner em seu livro “Quando tudo não é o bastante”.

O padre diz que quando a pessoa descobre a arte do equilíbrio e da flexibilidade, age de acordo com as suas possibilidades e nem sempre de acordo com as suas vontades. “Nos adaptamos a isso com o objetivo de sermos felizes, ou seremos eternos resmungões, eternos infelizes.”

Comentários

Comentários