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Mais vagas em faculdade privada reduzem procura por cursos pré-vestibulares

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Os cursos pré-vestibulares, indispensáveis anos atrás para entrar na faculdade, têm registrado queda no número de alunos. Coordenadores e diretores de escolas de Bauru explicam que a rotina de ralar dia e noite em cima dos livros tem atraído apenas os estudantes que almejam ingressar em uma universidade pública ou uma privada muito concorrida. O motivo é a explosão de faculdades particulares ocorrida nos últimos anos, com várias opções de cursos e mensalidades acessíveis a todos os bolsos.

“A demanda pelo cursinho caiu nos últimos quatro anos. Hoje, só faz curso pré-vestibular o aluno que quer prestar vestibular em faculdades públicas ou cursos concorridos, como medicina”, explica Gerson Trevisani, o Duda Trevisani, diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp).

“As faculdades privadas, geralmente, têm oferta grande de vagas, o que implica em pequena concorrência. Tem muito estudante que termina o ensino médio e já entra na faculdade”, acrescenta Duda, que também é diretor do Colégio Preve. Sem números oficiais, ele calcula uma redução de 40% no número de alunos nas salas dos cursinhos nos últimos quatro anos.

Paulo Viegas, coordenador e diretor do Colégio Interativo, revela que em muitos casos é mais viável financeiramente para o aluno pagar uma faculdade e continuar morando com os familiares do que batalhar para conseguir uma vaga em faculdade pública e ter de mudar-se de cidade. “Uma pessoa que presta direito, ao colocar na ponta do lápis todos os gastos, vê que compensa pagar uma faculdade em Bauru, onde mora com a família, do que ir para São Paulo, por exemplo”, explica.

Além disso, Duda afirma que houve uma queda no preconceito em relação ao ensino nas instituições privadas. “Inclusive hoje, em algumas carreiras, os cursos de faculdades privadas são melhores que os oferecidos pelas públicas. Mas, de modo geral, as universidades públicas ainda mantêm status de serem as melhores”, pondera.

Apesar do aumento no número de estudantes que optam pelas faculdades privadas, cursos como medicina e engenharia, não registraram queda no índice de candidato/vaga. “Essas instituições de ensino têm público fiel. Podem abrir 50 novas faculdades de engenharia. A pessoa que foca essas universidades tradicionais não troca pelas privadas”, conta Paulo.

Para o professor e proprietário do Instituto D’Incao de Ensino, Pedro D’Incao, o surgimento de inúmeras faculdades particulares é uma “praga” que se alastra por todo o País. “O ingresso na universidade hoje é muito fácil com as diversas instituições particulares. Qualquer um pode entrar. Não há rigor nenhum. O vestibular é praticamente uma matrícula”, opina. “A conseqüência é o alto índice de desempregados com nível universitário”, acrescenta.

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Enem leva a reprogramar curso preparatório

No curso preparatório ao vestibular do Colégio Interativo, as aulas do segundo semestre, que começam no mês que vem, serão diferentes. “Estamos fazendo uma reprogramação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e também para a Vunesp (vestibular que seleciona para a Universidade Estadual Paulista), que anunciou mudanças no vestibular”, conta o diretor e coordenador Paulo Viegas.

Para Paulo, as mudanças deveriam ser informadas com antecedência para que as escolas pudessem se preparar. “A modificação foi precipitada e os vestibulandos estão ansiosos sem saber o que fazer. Deve haver uma maior interação entre as matérias. Apesar das diversas informações que circulam pela mídia, a realidade vamos vivenciar agora em outubro”, afirma.

No Preve Objetivo, os alunos do curso preparatório ao vestibular terão aulas duplas - nos períodos da manhã e da tarde. “Todo mundo foi pego de surpresa. Teremos período dobrado de aula para antecipar o conteúdo escolar. Geralmente, terminamos no começo de dezembro, agora teremos que finalizar em outubro (data do Enem). A escola terá que arcar com o prejuízo”, revela Duda Trevisani, diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp).

Já o Instituto D’Incao de Ensino não sentiu queda no número de alunos no curso preparatório ao vestibular. Para Pedro D’Incao, proprietário da escola, as mudanças nos vestibulares são apenas no formato e o prejuízo é maior para as instituições de ensino que trabalham com o sistema apostilado e de cursinho em “massa”.

“Os sistemas apostilados têm visão fechada e pragmática. Nós trabalhamos com livro didático e focamos no conteúdo, por isso não tivemos que mexer em nada para o Enem”, revela. “É justamente o que o novo vestibular está pegando: trabalhar forte o conteúdo para que possam ser desenvolvidas as habilidades que as universidades querem”, acrescenta.

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