É, parece que nosso Brasil não tem jeito mesmo. Pululam escândalos, a mídia nos entope de gravações, acertos, recibos, endereços. Fatos são comprovados, os meios modernos de controle escancaram-nos falcatruas, acertos, jeitinhos, nomeações, atos secretos... Nossos olhos iludidos que são por aparências e promessas não querem mais ver e os ouvidos, ouvir. Estamos entulhados dessa lama fétida chamada política. O rei está nu! Assim como a rainha, as cortesãs, ministros, bobos da corte, amigos do rei... E o mandatário desse país diz que não se pode condenar o bigode pornográfico por não ser ele uma pessoa comum! Não é mesmo. É um dos grandes fabricantes da lama fétida, ele e sua - igualmente corrupta - família. Estamos frente a uma organização que faz a Cosa Nostra parecer pouco mais que uma gang juvenil. Os “puderosos” logo vem em socorro desses facínoras tão logo são pegos com as calças na mão e “blindam” suas eminências. Sempre aparece um outro serviçal desses bandidos que logo lança o manjado manto vernacular: “Precisamos proteger a institução Senado, ou Câmara Federal...” ou qualquer outra “facção”.
Ano passado, movido por nobres ideais, – ao menos para mim – motivado pela experiência e uma pseudo-consciência ambiental, entrei para política. Deus me poupe de um castigo maior, mas confesso, me envergonho dessa classe – sofro da chamada “vergonha alheia” – e fico realmente preocupado com o andamento que essa nossa classe está dando ao Brasil. Foram todos eleitos pelo povo, eu sei, mas esse nosso povo... Em Bauru mesmo: elegemos um membro para a Câmara Municipal com muitos votos, muito poucos o conhecem pessoalmente, mora em outra cidade, trabalha em outra ainda, mas está na TV, entra nos lares sem bater, seus eleitores o consideram intimo da casa.
A minha aversão à TV me leva a orgulhar-me de pertencer aos 15% que não aprovam o governo federal, não sou cego, não me encanto com ações midiáticas; ao mesmo tempo não me sinto aprisionado como a massa ignara que em sua maioria fica pelos cantos discutindo novelas e acontecimentos de “heróis” de reality show’s.
Esse mesmo governo que lançou em sua “contabilidade” os gastos da bolsa família como sendo da conta “Saúde” para fechar a cota mínima de investimentos no setor, está empenhado em fortalecer um sujeito que há mais de vinte anos só faz estender seu poder, e da família, não deixa espaço para ninguém em seu(s) estado(s); tem preso pelo rabo uma enormidade de políticos sem a mínima expressão, mas valem um voto sempre e isso os levará a eternidade.
Marco Labão