Nova York - Na guerra de paciência que virou a crise hondurenha do ponto de vista de Washington, o Departamento de Estado americano disse ontem que não trabalha com prazos para que a crise acabe. A declaração, do porta-voz da Chancelaria, serve para pressionar o presidente deposto, Manuel Zelaya, para que aceite as condições do Acordo de San José.
O plano, esboçado pelo presidente costa-riquenho Óscar Arias com aval do governo de Barack Obama, prevê a volta de Zelaya ao cargo, com poderes limitados e a antecipação de novembro para outubro das eleições para escolher seu sucessor. Sugere também uma anistia legal para todas as partes envolvidas.
O comando militar hondurenho emitiu nota no fim de semana dizendo que apoia o plano. Em artigo publicado hoje no diário econômico “Wall Street Journal”, o líder do regime golpista, Roberto Micheletti, sugere que pode vir a aceitar os pontos propostos e pede que os EUA continuem seguindo as “sábias decisões” de sua secretária de Estado, Hillary Clinton -mais cautelosa do que Obama na condenação do golpe.
No artigo, Micheletti escreve que, “se todas as partes concordarem em deixar o sr. Zelaya voltar para Honduras -um grande “se’-, acreditamos que não se pode confiar que ele vá respeitar a lei, portanto nossa posição é a de que ele deve ser processado como manda a lei”. Mais adiante, no entanto, concede que a proposta de anistia “pode vir a ser considerada”.
Já na coletiva de hoje, o porta-voz do Departamento de Estado disse estar “satisfeito” com a perspectiva de deixar o processo de negociação esgotar seu curso. “Não vamos colocar nenhum prazo artificial nisso”, afirmou P.J. Crowley. Segundo ele, o número um da Chancelaria para a América Latina, Thomas Shannon, continua em contato com Zelaya.
Ainda assim, fica claro que respaldo ao presidente deposto está cada vez menor na capital americana e que os principais atores das negociações em torno do futuro político de Honduras jogam com o tempo para que ele ceda ao acordo proposto por Arias.
Mesmo no Congresso dos EUA, onde os democratas são maioria e foram defensores de primeira hora do restabelecimento de Zelaya, o ânimo da situação em torno do hondurenho dava mostras de arrefecer -enquanto o da oposição republicana se aquecia.
No sábado, a representante (deputada federal) Connie Mack, da Flórida, visitou Tegucigalpa numa “missão apuradora de fatos”, na qual se encontrou com os golpistas. A resolução que apresentou à Câmara em que pede que os EUA reconheçam o regime conta com a assinatura de 31 colegas.