O maior erro que alguns meios de comunicações cometem, sobretudo os de repercussão nacional (televisivo), é a comum confusão entre sexo e amor. Esse caos mental é propagado propositalmente para confundir as pessoas, especificamente os jovens e adolescentes - quase sempre explorados por interesses egoístas numa sociedade hedonista. O equívoco de muitos é a aceitação da idéia vendida de que sexo é amor. Sem dúvida, o sexo é parte vital do ser humano, mas não é tudo como muitos pensam... ou querem demonstrar e impor.
Sexo e amor são distintos: o primeiro (sexo) é algo carnal, instintivo, libidinoso que pode e deve ser feito com amor, mas não esgota a essência do amor. O segundo (amor) é algo metafísico, transcende o mundo físico, é uma estética que ultrapassa a razão humana; algo considerado por alguns como divino - para os cristãos “Deus é amor” (1 Jo 4, 8).
O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) orienta que antes de duas pessoas se casarem deveriam interrogar-se: teremos prazer em conversar por toda a nossa vida, até que a morte nos separe? Sim ou não? Se sim, convém casar-se. Se não, evite o casamento, ao menos com essa pessoa, pondera o pensador alemão. A afirmação anterior ganha peso pelo fato do sexo ser efêmero. No futuro, restará apenas a conversa e a amizade. O sexo é importante, mas, casar-se somente pela atração sexual é pouco (...) é um reducionismo brutal da belíssima sexualidade humana. Embora Nietzsche tenha afirmado que o cristianismo deu veneno ao Eros, não o matou, mas tornou esse (Eros) um vício na mentalidade cristã. Considero a ressalva nietzschiana importante. No entanto, pondero que a igreja ou a religião com sua sabedoria doutrinal e histórica não tornaria amarga uma das coisas belíssima da natureza humana (sexualidade), se não fosse por prudência e preocupação com o ser humano.
O escritor mineiro Rubem Alves (1933) diz que o diálogo deve ser o fio condutor dos relacionamentos - principalmente entre casais. O educador defende dois tipos de conversa: a tênis; em que o propósito é tirar o outro da jogada. Essa deveria ser evitada em todas as relações. E a frescobol, em que a finalidade ou intenção é manter o outro no jogo, quanto maior a afinidade, melhor o desempenho. Nos relacionamentos, devemos sempre primar pelas conversas frescobol, elevando sempre a auto-estima da pessoa com quem estamos nos relacionando ou conversando.
Pensemos nos nossos relacionamentos... Estamos tendo conversas que ajudam as pessoas a elevarem sua auto-estima? E quem busca o matrimônio, está disposto a conversar com essa pessoa pelo resto de suas vidas? Usamos de forma equilibrada, comedida e ponderada nossa sexualidade? Algumas pessoas usam sua genitalidade desmedidamente e acabam usando outras pessoas como objetos e não como seres humanos. Essa atitude é antiética e imoral, antes de qualquer preceito religioso ou doutrinal.
O autor, Márcio Alexandre da Silva, é formado em filosofia, educador e professor da rede pública do Estado de São Paulo - e-mail: marciobressane@hotmail.com