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Atuação de amadores ainda contribui para astronomia


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Em tempos de telescópios espaciais, as observações de astrônomos amadores ainda têm seu valor para a ciência. Segundo o professor Roberto Boczko, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (USP), os “românticos” da astronomia, como ele denomina os amadores, podem fazer, inclusive, descobertas relevantes.

“Os amadores realmente colaboram, uma vez que existem certos fenômenos que ocorrem no céu são aleatórios, como, por exemplo, o aparecimento de um cometa novo. A gente não sabe onde vai aparecer. Como os astrônomos amadores dispõem de telescópio cujo campo de observação é grande, conforme estão observando o céu, eles acham mais fácil do que o astrônomo que tem um instrumento muito mais potente, mas que só observa uma região muito pequenininha do céu”, explica Boczko, que veio a Bauru para a Semana de Física do Instituto D’Incao.

A importância da observação das estrelas, mesmo sem muitos recursos, vem de muito tempo atrás. Há milhares de anos, pensadores fizeram descobertas sobre o universo olhando para o céu a olho nu. Dentre elas, estão a medida do raio da Terra, a distância entre a Terra e a Lua, a distância entre a Terra e o Sol, as diferentes fases da Lua e as estações do ano.

“O calendário que nós usamos hoje é baseado única e exclusivamente em observações feitas a olho nu e ele foi evoluindo de acordo com observações das fases da Lua, das estações do ano, até chegar no que conhecemos como o calendário hoje. A última modificação no nosso calendário foi em 1952”, conta Bockzo.

No entanto, atualmente, as observações a olho nu não têm valor para astronomia. “As observações astronômicas do ponto de vista profissional hoje exigem um instrumental de altíssima precisão, um instrumental complexo e caro, uma vez que a sensibilidade do olho humano não é suficiente para as precisões que os astrônomos exigem”, declara.

Além disso, o professor ressalta que, para ser astrônomo profissional, não basta gostar de dar uma espiadinha nas estrelas. A astronomia exige uma dedicação intensa aos estudos das ciências exatas.

“Astronomia é física e matemática todo dia, o dia todo, para o resto da vida profissional. Na maior parte das vezes, o astrônomo nem olha pelo telescópio. Ele simplesmente senta na sua mesa com o console de um computador na sua frente, digita o astro que quer observar e o aparato instrumental se posiciona e começa a mandar informações por meio de chapas fotográficas e gráficos”, revela Bocko.

Estas e outras questões da astronomia observacional foram discutidas pelo professor da USP em uma palestra realizada ontem à noite, em Bauru.

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