Teerã - O governo do Irã libertou ontem 140 pessoas que foram detidas durante os protestos ocorridos no país após a eleição presidencial de 12 de junho. A libertação foi anunciada no mesmo dia em que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ordenou o fechamento de um centro de detenção que não respeitava os direitos dos acusados.
A polícia, a Guarda Revolucionária e a milícia Basij detiveram mais de 2.500 pessoas durante os protestos que se seguiram à eleição, que deu a vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad por 63% dos votos, contra 34% do líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, que afirmou que o pleito foi fraudado.
A última informação oficial, divulgada há semanas, indicava que cerca de 500 pessoas continuavam presas.
Entre os detidos estão jovens, assim como políticos pró-reforma, ativistas, jornalistas e advogados. Ao menos 20 pessoas foram mortas, segundo a polícia, apesar de grupos de direitos humanos dizerem que o número é maior.
Um comitê parlamentar que investiga as condições dos prisioneiros visitou nesta terça-feira a prisão de Evin -a principal de Teerã- e, durante a visita, 140 detentos ligados aos protestos foram libertados, disse Kazem Jalili, porta-voz do grupo, segundo a agência de notícias semioficial Isna.
Outros 150 permaneceram em Evin porque portavam armas quando foram detidos. Ontem o presidente do Judiciário iraniano, o aiatolá Mahmoud Hashemi Shahroudi, prometeu que a promotoria pública iria revisar a situação dos presos durante os protestos em uma semana, e decidir se eles irão ou não ser levados a julgamento.