Internacional

Estados Unidos suspendem visto de 4 autoridades de Honduras

Folhapress
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Nova York - O juiz da Suprema Corte de Honduras Tomás Arita, que ordenou aos militares a detenção do presidente deposto, Manuel Zelaya, e o novo presidente do Parlamento hondurenho, Alfredo Saavedra, são duas das quatro autoridades de Honduras que tiveram seus vistos suspensos pelos Estados Unidos ontem, um mês após a deposição que mergulhou o país centro - americano no isolamento internacional.

A suspensão foi anunciada ontem pelo departamento de Estado americano, que não informou o nome das quatro autoridades cujos vistos foram suspensos, mas a vice-chanceler do atual governo, Martha Lorena Alvarado, informou que Arita e Saavedra foram atingidos pela medida.

Arita é um diplomata de carreira que assumiu como juiz da Suprema Corte em janeiro deste ano. No dia 28 de junho, assinou a ordem para que os militares revistassem a casa de Zelaya e o capturassem, no que foi internacionalmente considerado um golpe de Estado, embora o presidente empossado, o até então presidente do Congresso, Roberto Micheletti, insista que houve uma sucessão dentro da lei, e que Zelaya foi retirado do cargo por tentar passar por cima da Constituição.

Também atingido pela suspensão de visto, Saavedra substituiu Micheletti à frente do Parlamento e liderou ontem a sessão parlamentar que decidiu pela formação de uma comissão que analisará o Acordo de San José, a proposta de conciliação entre os grupos rivais de Honduras feitas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, mediador da crise política.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, disse que ainda serão revistos os vistos de todos os funcionários do Presidente interino Roberto Micheletti.

A vice-chanceler interina de Honduras insistiu que a decisão não teria consequências importantes para o governo interino, que rejeitou apelos internacionais para restaurar Zelaya, apesar da suspensão de milhões de dólares em ajuda dos EUA e da União Europeia ao país e a ameaça de novas sanções que podem afetar o equilíbrio econômico do terceiro país mais pobre das Américas.

Zelaya, que já reclamou várias vezes de que os esforços internacionais para que ele volte ao cargo são insuficientes, disse que a decisão foi “correta” e pediu medidas ainda mais duras. “Devemos continuar insistindo que os Estados Unidos pressionem mais os líderes do golpe para dar uma demonstração clara de repúdio do golpe”, disse Zelaya na cidade nicaraguense de Ocotal, onde ele mantém seu governo no exílio perto da fronteira hondurenha, acompanhado por centenas de partidários.

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