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PSDB entra com três representações contra Sarney no Conselho

Folhapress
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Brasília - O PSDB decidiu protocolar ontem três novas representações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética da Casa. As ações tratam do suposto envolvimento do senador com os atos secretos, da suspeita de que teria interferido a favor de um neto que intermediava operações de crédito consignado para servidores do Senado e de ter usado o cargo para interferir a favor da fundação que leva seu nome e mentido sobre a responsabilidade administrativa da fundação.

A estratégia de propor três representações pode fortalecer a oposição porque, com essa movimentação, o DEM não precisaria representar contra o peemedebista e, com isso, um dos três senadores democratas do colegiado poderia ser sorteado para relatar algum dos processos.

Ontem, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que não existe mais espaço para uma conciliação. Guerra afirmou que a movimentação do partido foi provocada pela falta de “respostas claras” nas últimas semanas para as denúncias de nepotismo e tráfico de influência contra o peemedebista.

O tucano confirmou que recebeu um telefonema anteontem do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), na tentativa de reverter a ideia dos tucanos de apresentar mais uma representação contra Sarney.

O presidente do PSDB disse que, agora, a situação de Sarney precisa ser resolvida pelo Conselho de Ética. “Renan me disse que era um conciliador. Eu também sou um conciliador, mas acho que a conciliação deve ser feita no Conselho de Ética. Esse é o melhor caminho para o Senado resolver a crise que enfrenta”, afirmou.

Segundo Guerra, a interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na crise política do Sendo gerou mal-estar e complicou a situação do presidente do Senado.

“O Senado já tinha resolvido a questão do presidente Sarney. O DEM, PT, PDT e PSDB já tinham defendido publicamente o afastamento do presidente do Senado. O governo não respeitou e a sustentação de Sarney foi feita pelo presidente e pela ministra. Houve uma ação política para instrumentalizar o Senado e manter unidade de forças na disputa eleitoral do ano que vem”, disse.

As denúncias podem ser apresentadas individualmente por parlamentares ou cidadãos e pedem apenas que o conselho investigue. Já a representação pede a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar e só pode ser oficializada por partidos. Sarney já é alvo no Conselho de Ética de três denúncias apresentadas pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e uma representação do PSOL.

Com a ameaça de aliados de Sarney, de arquivar sem discussão as denúncias no Conselho, o PSOL deve protocolar hoje a segunda representação do partido contra o peemedebista. O líder do PSOL no Senado, José Nery (PA) e a presidente do partido, a vereadora de Maceió Heloisa Helena, estarão em Brasília discutindo o texto com técnicos.

A idéia é que a nova reclamação contra o peemedebista inclua as denúncias de que ele interferiu a favor da fundação que leva o seu nome e que é suspeita de desviar R$ 500 mil de um patrocínio cultural da Petrobras, além de ter escondido da Justiça Eleitoral a propriedade de uma casa avaliada em R$ 4 milhões.

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