Arroz e feijão. A dupla que não pode faltar nas mesas dos brasileiros puxou a redução da cesta básica na comparação entre junho deste ano com o mesmo mês de 2008. Enquanto o preço do quilo do arroz caiu quase 10%, o do feijão teve redução de 55% no período. Ao todo, a cesta básica caiu 7% e a expectativa é de nova redução, chegando a dois dígitos para a próxima avaliação.
Segundo análise da Pesquisa Nacional da Cesta Básica, feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o pacote composto pelos alimentos essenciais teve uma redução média de 6,99%, na Capital. Porém, em relação a maio, os preços subiram 0,33%.
O diretor regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas/Bauru), Erlon Carlos de Godoy Ortega, acredita que a próxima avaliação trará índices mais reduzidos. “Pelos dados da minha empresa, a queda deve se acentuar. E pelo o que foi verificado, poderíamos arriscar queda em dois dígitos”, calcula Ortega, que dirige uma rede com cinco lojas na região de Pirajuí e Garça.
Se a previsão for acertada, a queda poderá chegar a 10%. “Ou seja, as mesmas mercadorias que o consumidor comprou com R$ 100,00 há um ano, poderá adquirir com R$ 90,00”, diz. Ortega destaca que para julho, leite e óleo de soja apresentarão as principais quedas. “No início do mês, o litro de leite saía por uma média de R$ 2,50. Hoje, você consegue comprar por R$ 1,90”, afirma.
Ele frisa que a queda se deve à redução das exportações, principalmente de comodities, como arroz, feijão e soja. “O produto não foi vendido para o Exterior, permaneceu por mais tempo no mercado interno”, avalia Ortega. Além disso, ele destaca que as safras foram boas, já que não houve nenhum problema climático nesse período. O terceiro fator é a concorrência.
Se na Capital o Dieese apontou queda de 7% no preço da cesta básica, Ortega acredita que no Interior a redução foi mais acentuada. “Temos uma concorrência muito forte e o repasse de uma tendência de baixa é muito rápida. Geralmente, quando o revendedor apresenta uma redução, o empresário não espera seu estoque de produto mais caro acabar. Ele já abaixa seus preços”, explica.
E o movimento contrário não acontece. Ou seja, quando há uma alta, o empresário espera acabar o estoque de produtos mais caros e só então repassa o aumento do preço.
Ortega acredita que julho deve manter a tendência de queda e os meses seguintes não devem apresentar flutuações no preço da cesta básica. “Claro que depende de vários fatores, como safra e preço do dólar. Mas acreditamos que haverá uma estabilidade até o final do ano”, avalia.
Porém, ele ressalta que a redução no preço da cesta básica não é garantia de aumento nas vendas. “O que houve foi o aumento do poder de compra do consumidor”. Ele também avalia que a crise afetou os supermercados, mas de forma menos contundente. “O setor não foi afetado diretamente pela crise. Houve um crescimento, mesmo que pequeno. Tivemos que sofrer alguns ajustes de despesas, mas mesmo com o desgaste, o setor não demitiu”, frisa.
E a redução do preço da cesta básica não afetou o faturamento do setor. “Muito pelo fato do supermercado não ser somente um lugar para as compras domésticas. Virou uma central de serviços, com lotéricas, lavanderias, parcerias com rede bancárias. Agregamos serviços para não ficarmos reféns da cesta básica”, afirma.