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Conscientização de valores

Lúcia Helena Bueno Gaio Martins
| Tempo de leitura: 3 min

Foi com grande espanto me deparar com a matéria enfatizada na capa do nosso tão apreciado Jornal da Cidade do dia 30 de julho de 2009, engrandecendo a matéria com o tema Orgânicos X Convencionais. Eu não sei se me calo ou tento raciocinar junto à população quando se trata de qualidade de vida do ser humano, referenciando aqui nós brasileiros: Acompanhamos o precário atendimento no SUS para a população brasileira em geral. Acompanhamos através dos meios de comunicações existentes diversas atitudes ilícitas por parte de nossos governantes Acompanhamos fotos através dos meios de comunicações sobre o lixo químico vindo da Europa para o Brasil. Acompanhamos o descaso político em assistir a população brasileira uma vez que as verbas destinadas em prol da população são desviadas para enriquecimento pessoal de diversos políticos, com construções de palácios, compras de fazendas, luxos que vão além da necessidade do ser humano, se esquecendo a ética do comprometimento com o cargo pleiteado. Em se tratando de qualidade de vida, vamos aos primórdios da história correlacionada ao uso de agrotóxico com seu início na guerra do Vietnã, ocorrida entre os anos de 1954 e 1975.

Dentre todas as armas de guerra presentes, destacaram-se os herbicidas desfolhantes (o mais famoso ficou conhecido como “agente laranja”), que foram utilizados pelos norte-americanos pela seguinte razão: como a resistência vietnamita era composta por guerrilheiros que se escondiam nas florestas, formando tocaias e armadilhas para os soldados americanos, a aspersão de nuvens de herbicidas por aviões fazia com que as árvores perdessem suas folhagens, dificultando a formação de esconderijos.

O agente laranja foi produzido pela Monsanto (americana) e por outras sete empresas. A Monsanto produziu um falso estudo provando que não havia relação entre a exposição à dioxina (subproduto do agente laranja) e o desenvolvimento do câncer. Ao contrário da Dow Chemicals, que quando soube que soldados americanos seriam expostos ao agente laranja disse “espera um pouco”, a Monsanto foi em frente.

É foi outro nível de irresponsabilidade. Herbicidas disseminados por avião contaminam não apenas as plantações, mas o solo e a água. Fatos como estes nos remetem a outro tema importante na história desses produtos: a toxicologia dos agrotóxicos (estudo dos efeitos tóxicos desses produtos para os seres humanos). Esta teve início com a verificação da letalidade para um indivíduo de forma aguda (capacidade de provocar a morte num curto prazo de tempo) Atualmente, ela já se preocupa com a letalidade crônica e com as alterações sobre aparelhos (nervoso, circulatório, excretor, entre outros) do corpo nos médios e longos prazos. Também já existe a preocupação com alterações em nível celular (tumores). Amanhã, é provável que enfoque o nível molecular e até energético o do metabolismo humano. Isso significa o reconhecimento por parte da comunidade científica que os agrotóxicos não agem mais sobre o indivíduo, seus órgãos e aparelhos, mas sobre suas células e o interior delas.

Hoje, já se sabe que o veneno atua sobre a membrana, o citoplasma ou sobre o núcleo da célula. Sua ação dependerá da função desta célula, que responderá alterando suas reações, secreções, velocidade de reações; estimulando ou inibindo reações específicas. Quanto da legalidade na prática permitidas pelos nossos governantes na importação e no uso dos agrotóxicos em nossas lavoura, torna-se a comparação praticada pela agricultura orgânica X agricultura convencional no mínimo bizarra, O dinheiro pode, e deve, ter uma finalidade muito mais sublime do que possui atualmente. Não foi feito para estar concentrado nas mãos de poucos, mas para ser partilhado de tal forma que não falte para ninguém.

A autora, Lúcia Helena Bueno Gaio Martins, é empresária e pós-graduada em agricultura orgânica biodinâmica

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