Agudos - A Agrifam foi aberta ontem em Agudos (13 quilômetros de Bauru) e repercutiu em tom otimista os R$ 15 bilhões anunciados pelo governo federal para investimento, operações de custeio e comercialização do Plano Safra da Agricultura Familiar 2009/2010, de um pacote para a agricultura no valor total de R$ 107 bilhões anunciados na semana passada. A fatia para a agricultura familiar beneficiará 4,1 milhões de famílias de pequenos agricultores responsáveis pela produção de 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros. Só no Estado de São Paulo são aproximadamente 270 mil famílias atuando na agricultura familiar.
O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues classificou o Plano Safra como “muito bom”. Ele destaca o incremento de 38% a mais de recursos em relação ao valor disponibilizado no ano passado. “Mesmo na crise mais importante de crédito no mundo, o governo está apoiando a agricultura. O governo ampliou em mais de um terço a oferta de crédito”, ressalta o ex-ministro.
Os recursos atendem às linhas de custeio, investimento e comercialização do Programa Nacional de Fortalecimento de Agricultura Familiar (Pronaf). Em contraponto aos elogios, Rodrigues e o secretário de Estado do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, questionam se os recursos chegarão ao produtor. “Isto depende muito de uma flexibilização da burocracia federal, que ainda é muito forte”, critica Rodrigues, presidente do Conselho Superior de Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O secretário de Estado do Desenvolvimento e ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) compartilha da mesma desconfiança frisada por Rodrigues. “Se realmente chegar a quem precisa, é muito positivo”, destaca. Durante a cerimônia de abertura da sexta edição da Feira da Agricultura Familiar e do Trabalho Rural (Agrifam), Alckmin e o prefeito de Agudos Éverton Octaviani (PMDB) assinaram convênio para a criação dos cursos de eletrônica e comércio na Escola Técnica do Centro Paula Souza na cidade.
O presidente da Fetaesp e idealizador da Agrifam, Braz Albertini destaca que R$ 15 bilhões são excepcionais para custeio e investimento. No entanto, ele diz que a assistência técnica ao pequeno agricultor ficará descoberta.
Albertini argumenta que o pequeno agricultor precisa de crédito e orientação para acessar a tecnologia ideal para produzir. Ele não descarta que o segmento da agricultura familiar faça nova ingerência junto ao governo federal.
“Para assistência técnica, ele (Lula) está munheca. Agora para custeio e investimento, ele libera mais recursos”, aposta Albertini.