Internacional

Irã aprova lei para proteger jornalista


| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - O Iraque aprovou ontem um projeto de lei para proteger jornalistas que trabalham no país, mas o sindicato que representa os profissionais no país disse que o texto é muito vago e os deixa suscetíveis a sofrer interferência do governo.

O Iraque é há um longo tempo um dos mais perigosos no mundo para jornalistas e, no mês passado, entidades enviaram uma carta aberta ao primeiro-ministro, Nouri al Maliki, pedindo um fim ao assédio e à agressão de profissionais por funcionários do Estado.

O projeto de lei -que será aplicado apenas para jornalistas iraquianos- diz que qualquer pessoa que atacar um repórter americano em serviço sofrerá a mesma punição se atacasse um funcionário do governo. O texto também estabelece vários níveis de compensação para jornalistas assassinatos ou feridos. “Esse projeto de lei visa a proporcionar segurança para jornalistas iraquianos na república do Iraque e para garantir seus direitos”, disse o porta-voz do governo, Ali al Dabbagh.

No entanto, alguns trechos do texto foram vistos como problemáticos pelo sindicato de jornalistas. Um deles se refere a proteção de fontes anônimas ao menos “que a lei requisite que a fonte seja revelada”. Outro diz respeito à garantia de liberdade de imprensa, que pode ser retirada se publicações “ameaçarem cidadãos ou fizerem declarações provocativas ou agressivas”.

“Estamos com medo de qualquer adição de ambiguidades que podem restringir os jornalistas. Estaremos no Parlamento quando a discussão acontecer, e tentaremos convencê-los (os parlamentares sobre isso)”, disse Muaid al Lami, chefe do sindicato. O projeto de lei prevê que o que é publicado não pode “servir aos inimigos do Estado”. No entanto, o texto não define quem seriam eles, ou o que constitui uma declaração agressiva ou provocativa.

A lei - proposta inicialmente pelo sindicato de jornalistas - foi alterada pelo gabinete de governo, e seguirá ao Parlamento para ser ratificada. Os meios de comunicação do Iraque mudaram radicalmente desde que o ex-ditador Saddam Hussein (1979-2003), morto em 2006, foi tirado do poder.

Desde a invasão do país liderada pelos Estados Unidos em 2003, uma proliferação de novos veículos tem dado aos iraquianos a possibilidade de escolher entre 200 publicações impressas - jornais e revistas -, 60 emissoras de rádio e 30 canas de TV em árabe, turco, sírio e dois dialetos curdos. O Comitê para Proteção de Jornalistas, localizado em Nova York, diz que 139 jornalistas e 51 outros funcionários de veículos de comunicação foram mortos no Iraque desde março de 2003. Já o Repórteres Sem Fronteira afirma que, no mesmo período, são 225 mortes.

Explosão

A explosão de seis bombas próximas a mesquitas deixaram ontem ao menos 27 pessoas mortas e dezenas de feridos em Bagdá, capital do Iraque. As explosões - que aconteceram em um intervalo de poucos minutos- parecia ter como alvo muçulmanos xiitas que participavam de orações. No pior ataque, a explosão de um carro-bomba atingiu pessoas que rezavam do lado de fora de uma lotada mesquita no distrito de Saab, na região norte da cidade, causando ao menos 21 mortes e ferimentos a 35 pessoas.

Quase ao mesmo tempo, explosões simultâneas atingiram a mesquita de Al Rasoul, próxima à ponte Diyala, no sul de Bagdá, matando quatro pessoas e ferindo outras 17, segundo a polícia.

Uma bomba também explodiu em uma estrada, perto da mesquita de Al Hakim em Kamaliyah, na região leste da capital, ferindo seis fiéis. Outras explosões foram registradas próximas à mesquita de Iman al Sadiq, em Iman, no sudeste de Bagdá - que deixou quatro feridos - e na mesquita de Al Sadrain, na região do bairro de Zafaraniyah - causando ferimentos a sete pessoas.

Comentários

Comentários