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Fatos que mudaram o rumo de Bauru

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Em seus 113 anos de história, Bauru viveu alguns momentos que foram determinantes para transformar a cidade no que ela é hoje. Se ela cresceu tanto, chegando próximo aos 370 mil habitantes, em tão pouco tempo, é porque teve uma razão para isso. O fato da cidade ser uma referência regional na área da saúde, do comércio, da educação, do transporte, entre outras, não é obra do acaso. Tudo isso é fruto de circunstâncias que, no passado, ditaram os rumos de Bauru.

Na verdade, a história da cidade começou a mudar no dia 7 de janeiro de 1896, quando os vereadores recém-empossados decidiram transferir a sede do município de Espírito Santo da Fortaleza para Bauru. Naquela época, Bauru era um distrito de Fortaleza, embora tivesse mais moradores do que a própria sede.

Todos os seis vereadores eleitos no dia 30 de julho de 1895, e que iriam compor a Câmara Municipal entre 1896 e 1898, eram do distrito de Bauru. Não foi eleito nenhum representante do município de Espírito Santo da Fortaleza. Isso teria acontecido por dois motivos: primeiro porque o colégio eleitoral da vila de Bauru era maior do que o da sede do município e, segundo, porque vários candidatos residentes em Bauru haviam sido bem votados em Fortaleza.

Inconformados com o resultado das urnas, os líderes políticos de Fortaleza encaminharam protesto formal ao Tribunal de Justiça de São Paulo, apontando supostas irregularidades na votação e solicitando a anulação da eleição. Dois meses mais tarde, chegou a notícia de que o governo havia negado provimento ao recurso e determinado a recontagem dos votos, que confirmou o resultado anterior.

A posse dos novos vereadores estava marcada para o dia 5 de janeiro de 1896, mas para que isso ocorresse era necessário que o presidente cessante da Câmara Municipal, José Theodoro Petente, entregasse aos novos componentes do Legislativo o comunicado do governo do Estado que negava provimento ao recurso contra a eleição e que determinava a posse dos eleitos.

Foi encaminhado, então, ofício ao presidente cessante para que procedesse o envio do tal documento. Os vereadores eleitos voltaram a se reunir no dia seguinte, mas tiveram de adiar a posse novamente porque o documento não havia sido entregue. Marcou-se nova reunião para o outro dia, mas como era evidente a intenção das lideranças políticas de Fortaleza de protelar o mais que pudessem a posse dos vereadores de Bauru, Domiciano Silva, o único vereador reeleito, decidiu radicalizar.

Não suportando mais a intransigência do presidente cessante, Silva, na qualidade de vice-presidente da Câmara de Espírito Santo da Fortaleza, assumiu a presidência da sessão, convidou o vereador eleito mais velho, Manoel Jacintho Bastos, a assumir a presidência, como mandava a lei, e os vereadores foram declarados empossados.

No mesmo dia, o vereador recém-empossado João Antônio Gonçalves apresentou indicação propondo a mudança da sede de município de Fortaleza para Bauru. Entre as justificativas apresentadas por Gonçalves para tal proposta, estavam a de que todos os vereadores eram de Bauru, que tinham de percorrer cerca de 24 quilômetros até Fortaleza, que por conta disso não poderiam se reunir com tanta freqüência quanto necessário, que nenhum lugar no município oferecia refeições diárias e que, por fim, o local estava em “completa decadência e total abandono, ao passo que a futurosa povoação de Bauru prospera aumentando dia-a-dia”.

Por todos esses motivos, o vereador propôs que, a partir daquela data, Bauru passasse a ser a sede do município. A proposta foi aprovada por unanimidade. No dia 1 de agosto de 1896 foi publicada a lei que mudava de forma definitiva a sede de município para Bauru. Além disso, o nome Espírito Santo da Fortaleza deixaria de existir e também passaria a se chamar Bauru.

Com o passar dos anos, o vilarejo, que ficava entre Agudos e Pederneiras, foi perdendo moradores até sua completa extinção. Todas as construções foram demolidas e, atualmente, o lugar está ocupado por plantações de eucaliptos e pinos, que pertencem à Duratex, de Agudos.

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