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Atendimento médico a ferroviários

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Entre outros efeitos provocados pela chegada da ferrovia a Bauru está a expansão da área da saúde. Para Lidia Possas, coordenadora do Grupo de Pesquisa CNPQ Cultura e Gênero, da Unesp de Marília, se Bauru é hoje uma referência regional e até nacional no atendimento médico parte se deve a estrutura que se criou para atender os trabalhadores da estrada de ferro e as milhares de pessoas que chegavam à cidade diariamente.

Ela conta que na época da construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), a região de Bauru ainda era inóspita e cheia de doenças, como a malária e a tuberculose, por exemplo. Lidia lembra que os jornais diziam que as pessoas morriam feito moscas. Por esse motivo, cresceu o número de farmácias e de médicos oferecendo seus serviços.

O memorialista Gabriel Ruiz Pelegrina narra que “para Bauru, dirigiam-se os enfermos da região e era doloroso o espetáculo que se via nas ruas da cidade, onde doentes de todas as espécies mendigavam um pedaço de pão e teto.

Em fevereiro de 1912, instalava-se na cidade, provisoriamente, a Santa Casa de Misericórdia, irmandade cujo provedor era o juiz de direito Rodrigo Romero. Em 1914, é fundada a Sociedade Beneficente Portuguesa.

Embora tenha sido criado apenas em 1933, o Instituto Lauro de Souza Lima, que no início chamava-se Asilo-Colônia Aymores, também teria como objetivo, na avaliação de Lidia Possas, retirar os enfermos das ruas. Segundo ela, no início do século, muita gente veio para Bauru e junto vieram pessoas com hanseníase. “Até meados do século 20, a lepra era uma doença maldita. O doente tinha de ser isolado. Hoje, o avanço médico permite que eles vivam no meio da sociedade sem nenhum problema, mas naquela época era diferente”, relata.

“Quem conhece o Instituto Lauro de Souza Lima sabe que aquilo lá é uma cidade. Ele foi feito para manter as pessoas lá dentro. Para que elas não precisassem sair. Por que uma instalação daquele porte? Por que gastaram tanto para construir aquele lugar? Porque havia uma demanda”, conclui.

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