Tel Aviv - Centenas de policiais procuram em Tel Aviv pelo homem acusado de matar duas pessoas em um clube gay, anteontem, no pior ataque já registrado contra homossexuais em Israel. As mortes deixaram em choque a cidade costeira, que se orgulha de ser liberal e um dos pontos mais agitados da cena gay de Israel.
O ataque gerou a condenação do prefeito da cidade, de ministros, do chefe de rabinos do país e do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. “Nós o levaremos à Justiça”, disse Netanyahu. O vice-primeiro-ministro, Sylvan Shalom, disse que o ocorrido “só pode ser qualificado como um ataque terrorista”.
Na noite ontem, um homem mascarado entrou no clube para adolescentes homossexuais, sacou uma pistola e abriu fogo, segundo o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld. O atirador então guardou a arma e correu para ruas movimentadas do centro da cidade.
Os mortos foram identificados como um homem de 26 anos que trabalhava no local e uma garota de 17 anos. Outras 11 pessoas ficaram feridas, quatro delas gravemente.
“Eu me escondi junto com alguém debaixo de uma mesa, e ele continuou atirando”, contou Or Gil, 16 anos, que foi atingido por dois tiros nas pernas. “Quando eu levantei, estava apavorada. Só consegui ver sangue.”
Fotografias da cena do crime mostraram corpos no chão, perto de uma mesa de bilhar, e um rastro de sangue no chão de azulejos brancos.
Jonathan Bower, 23 anos, disse que estava do lado de fora do clube quanto os tiros começaram. “Um dos meus amigos saiu gritando e chorando “ele tem uma arma, ele tem uma arma’”, contou.
Culpa
Mike Hamel, um ativista dos direitos dos homossexuais cuja organização gerencia o clube, disse que o centro funcionava como um lugar seguro onde adolescentes - muitos com preocupações sobre sua identidade sexual - podiam encontrar conselheiros e outros jovens da mesma idade.
“Além da dor, da frustração e da raiva, estamos encarando uma situação em que a incitação ao ódio cria um ambiente que permite que isso aconteça”, disse.
O prefeito de Tel Aviv, Ron Huldai, disse que ainda não se sabe o motivo para o ataque. A polícia se recusou a dar comentários, dizendo apenas não ter se tratado de um palestino atacando israelenses.
Tel Aviv é palco de uma parada gay anual. Bandeiras com arco-íris -símbolo dos homossexuais- são comuns em janelas de apartamentos.
No entanto, judeus ultraortodoxos freqüentemente incitam a população contra os gays, principalmente em Jerusalém, onde confrontos entre religiosos e ativistas gays têm sido registrados. Em 2005, um manifestante ultraortodoxo esfaqueou três pessoas que participavam de uma parada gay.
No ano passado, um parlamentar do partido ultraortodoxo Shas sugeriu que os terremotos são punição divina às atividades dos homossexuais. No entanto, ontem o partido divulgou um comunicado, condenando o ataque em Tel Aviv.