Regional

Bases da PM são explodidas na madrugada em Barra Bonita

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Barra Bonita - Duas bombas detonadas quase que simultaneamente explodiram duas bases da Polícia Militar da Estância de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), na madrugada de ontem, por volta das 2h. A base norte, localizada na Cohab Sonho Nosso, sofreu danos totais e terá que ser reconstruída. Na sul, os danos foram parciais. As explosões não provocaram vítimas, mas assustaram a população e colocaram as polícias em alerta. Há fortes indícios de que o ataque pode ter sido promovido com a participação de uma facção criminosa em represália às ações policiais de repressão ao tráfico de drogas na cidade.

Os prejuízos ainda não foram calculados, mas é certo que a base norte terá que ser reconstruída enquanto a sul, poderá ser reformada. Além das bases, as explosões interferiram no trânsito da cidade, o semáforo da ponte Campos Salles ficou sem funcionamento, porque o controle estava no interior da base sul.

Dois suspeitos foram detidos, mas somente um ficou preso. A Delegacia de Investigação Geral (DIG) de Jaú prendeu um foragido da Penitenciária 2 de Bauru, ontem de manhã, e investiga se ele tem alguma participação com o atentado. No entanto, o delegado titular da DIG de Jaú, Edmilson Bataier, ressalta que ainda serão feitas diligências e será investigado por onde o foragido passou após fugir da penitenciária. “Ele é amasiado com uma pessoa da Barra”, conta o delegado. O suspeito foi interrogado e encontra-se preso. O outro envolvido foi liberado, após ser ouvido.

Embora a polícia admita que, ambos os artefatos são muito semelhantes e os horários de explosões muito próximos, não há nada, até o momento, que comprove que as explosões tenham sido feitas pelas mesmas pessoas. O sub-comandante do 27º Batalhão de Polícia Militar , Humberto Salvador Cestari, é enfático em dizer que a ação foi coordenada, mas acha cedo afirmar se as ações foram promovidas por duas ou uma equipe.

“Não é possível determinar se foram dois grupos, a ação foi coordenada, pela similariedade do artefato, pela forma como foi executada. Dizer que foi pela mesma equipe ou duas, é um pouco precipitado. É possível ir de uma a outra em 10 minutos, sem trânsito. A cidade é pequena. Mas acho que ficaria atabalhoado, porque após um ataque desse porte, a pessoa quer é se esconder. Em tese, não teria todo o sangue frio para fazer o segundo ataque, mas não dá para descartar nada.”

Na opinião do capitão, a ação integrada com facção criminosa não está descartada. “Pelas informações que conseguimos colher, eles agiram em quatro pessoas. Logicamente que o envolvimento das facções criminosas não é descartada, mas como eu disse vamos procurar lidar com todas as hipóteses.”

Para o sub-comandante, em casos como esse há uma dificuldade em encontrar testemunhas. “Existem pessoas que forneceram informações esporádicas que permitem que a gente vá construindo a história. Há suspeitos, uma moto um veículo, mas não tem placas, características.”

Para a Polícia Militar, as ações podem ter sido promovidas por uma pessoa, que eles mantêm o nome em sigilo. O suspeito teria fugido de uma abordagem policial durante a noite de domingo na cidade. “Ele é suspeito em virtude das atividades no transcorrer da noite de domingo. É um velho conhecido da polícia. Trabalhamos com várias hipóteses. Nossa idéia é organizar essa tarefa de investigação junto com a Polícia Civil para termos sucesso mais rápido.

Sobre a possível retaliação às ações policiais, o capitão ressaltou que há três meses que a PM tem agido de forma intensa no combate às quadrilhas de tráfico de drogas e isso pode ter gerado algum descontentamento por parte dos marginais. “Os ataques dão mais ânimo de continuarmos. Nossa ação está incomodando os bandidos.”

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Explosões diferenciadas

As explosões, embora semelhantes, foram diferentes em suas aplicações. Na base norte, a bomba foi colocada no interior das instalações e na sul foi colocada na soleira da porta, no lado de fora. “Na base norte tudo indica que o artefato explodiu no interior do recinto e, até pelo confinamento e pela potência do artefato, houve um comprometimento maior, a estrutura foi comprometida. Os danos foram totais. Há necessidade de reconstrução do prédio”, segundo o sub-comandante. Na base sul, uma reforma viabiliza o funcionamento. “Os danos foram parciais e não houve comprometimento da edificação.”

O capitão Humberto Cestari explicou que uma equipe especializada do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) se prontificou a ir até a cidade para investigação do produto usado na confecção da bomba. “Saber detalhes pode ajudar nas investigações. Ao que tudo indica eles usaram um artefato elaborado à base de pólvora pelo odor e descrição semelhante em ambas as instalações.”

Para ele, as explosões não comprometeram o trabalho da PM na cidade. “Essas bases estão dentro do contexto da descentralização operacional que é para facilitar a acessibilidade da população. Funcionavam somente no horário comercial. Sem elas, a população pode usar 190.”

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