Os indicadores criminais de Bauru continuam maiores que os do ano passado. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo apontam aumento de 28,6% no número de homicídios dolosos (intencionais) na cidade entre janeiro e junho deste ano, em relação ao mesmo período de 2008. Nos seis primeiros meses de 2009, foram assassinadas 18 pessoas e os casos de roubo, furto de veículos e roubo de veículos aumentaram. Apenas as ocorrências de furto estão em queda.
O ano começou já dando sinais da violência que estava por vir. O primeiro homicídio registrado em Bauru em 2009 foi logo em 3 de janeiro. Márcio Luiz Augusto, conhecido com Marcinho, foi morto a tiros na região oeste da cidade, em um possível acerto de contas em virtude de desavenças. Já no final do semestre, em junho, três pessoas foram mortas num intervalo de apenas cinco dias. Ivanildo Tobias foi executado por um desafeto no dia 10 e o pedreiro Fabiano Daniel de Azevedo morreu após ser esfaqueado em briga de bar no dia 13, a mesma causa da morte de Fernando de Oliveira, no dia 14.
O tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI) não encontra outra explicação para o aumento do número de homicídios dolosos que não esteja relacionada ao consumo e ao tráfico de drogas. “Em 90% dessas prisões, o delinqüente é dependente químico, principalmente de crack, que vicia rapidamente. Em muitos casos, esses homicídios são resultado de acerto de dívidas.”
Segundo ele, esse fator explica a razão pela qual os roubos (com emprego de violência ou ameaça) têm aumentado e os furtos, diminuído. “O viciado precisa de dinheiro rápido e não se preocupa com as conseqüências dos seus atos. Embora a pena para furto seja menos severa em relação ao roubo, para furtar o delinqüente precisa elaborar toda uma estratégia, o que dá muito mais trabalho”, analisa.
Embora Meira saliente que a escalada da violência é um fenômeno registrado não apenas em Bauru, vale lembrar que especialistas consultados pelo JC afirmam que a transformação das penitenciárias 1 e 2 da cidade para regime semi-aberto, em dezembro de 2007, pode ter contribuído para o aumento dos índices de criminalidade. Basta lembrar que os internos, que têm contato constante com o meio externo, estão vivendo em unidades superlotadas.
Há menos de um mês, o JC publicou que não apenas a P1 e a P2, mas também o Centro de Detenção Provisória (CDP) e o Instituto Penal Agrícola (IPA) estão com quase o dobro de sua capacidade original. São 4.655 homens num espaço onde caberiam 2,5 mil, de acordo com dados disponibilizados na página da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) na Internet. Ainda sobre os números deste primeiro semestre, dentro de toda área do Batalhão, que abrange 19 municípios, a PM e a Polícia Civil prenderam 142 pessoas em flagrante por tráfico de drogas, capturaram 561 condenados, apreenderam 162 armas de fogo e 141 armas brancas, além de recuperar 241 veículos roubados e furtados.
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Ação
Procurado pelo Jornal da Cidade, o delegado seccional de Bauru, Benedito Valencise, avaliou os índices criminais e afirmou que já está colocando em prática um plano de ação para cidade e região. Assim como o tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante do 4.º Batalhão, ele avalia que a maioria das mortes registradas na cidade está relacionada ao uso e à comercialização de entorpecentes. “Por isso, vamos intensificar o trabalho de investigação, prisão de traficantes e apreensão de drogas, porque são elas que alavancam a prática de outros crimes, inclusive o homicídio”, frisa.
Entre outras medidas a serem tomadas, ele menciona o cumprimento de mandados de prisão de procurados, busca e apreensão de objetos de furto e armas, levantamento para identificar os locais onde mais ocorrem os diversos tipos de crime, apreensão de máquinas caça-níqueis, além de cadastramento e fechamento de desmanches clandestinos. “Também daremos seqüência às operações de policiamento preventivo especializado, com prisões em flagrante. Essas ações irão provocar uma redução significativa nos índices”, conclui.