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Fim da gripe será quando vírus enfraquecer

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 3 min

“Supõe-se que houve três pandemias de gripe por século desde 1500”, diz o médico infectologista e professor do Departamento de Doenças Tropicais e Diagnóstico por Imagem da Unesp de Botucatu, Carlos Magno Fortaleza. A gripe suína - Influenza A (H1N1) é mais uma delas e, como tal, deve manter o histórico e terminar da mesma forma: enfraquecimento do vírus e/ou desenvolvimento de imunidade da população.

“Sempre na história das influenzas, as pessoas vão criando um certo grau de resistência ao vírus e, com o tempo, a circulação do vírus vai ficando cada vez mais difícil. Este H1N1 é muito novo e a gente não sabe muito bem como ele se comporta, mas acredita-se que ele vá manter a mesma história das outras influenzas”, diz a infectologista Maristela Pastore Oliveira.

Fortaleza explica que a resistência da população é baseada exatamente no fato das pessoas adquirirem a doença. “O que acontece em geral é que de tanto o vírus circular e acometer a maior parte da população humana, desenvolve-se uma imunidade populacional. O vírus que antes era novo ao nosso sistema imunológico passa a ser um vírus conhecido. Ele passa a ter um comportamento sazonal e não mais pandêmico, passa a ser menos grave”, aponta.

Fernando Monti, infectologista e secretário de Saúde de Bauru, diz ainda que a imunidade contra a a doença costuma ser prolongada e que as pessoas só pegam gripe diversas vezes porque os vírus sofrem mutações. “Toda doença infecciosa tem um momento de esgotamento. As gripes acabam quando acabam as pessoas suscetíveis de contrair a doença. Acredita-se que resistência seja bastante prolongada. A gripe só não esgota porque há uma mutação freqüente do vírus e, geralmente, cada vez que a pessoa pega gripe, o vírus causador é diferente”, declara.

Para Fortaleza, podem ocorrer mutações genéticas no vírus que o deixem mais fraco e, com isso, a gravidade da doença diminui. “Também podem haver alterações genéticas no próprio vírus que colaborem também para redução desta gravidade”, ressalta.

A novidade da gripe suína em relação às demais pandemias é a possibilidade de uma vacina que colabore para que o organismo se defenda da doença, aumentando mais rapidamente as pessoas com resistência. “Acredito que a vacina vai colaborar, mas ainda vai demorar para ser usada em larga escala. Como toda vacina, ela vai dar a possibilidade do organismo criar células de defesa contra aquele vírus. O organismo aprende a combater o vírus e, quando a pessoa contrai a doença, ela já não é tão grave”, pondera Oliveira.

Resta saber se essa vacina vai chegar a tempo para a maior parte da população, afinal as outras três pandemias do século XX duraram entre um e dois anos: gripe espanhola (1918-1920), gripe asiática (1957-1958) e gripe de Hong Kong (1968-1969).

Há três tipos de influenza: A, B e C. No entanto, todas as pandemias foram causadas por vírus influenza A. Isso é explicado por sua grande capacidade de mutação. “A espécie A tem mais capacidade de se modificar geneticamente”, explica Fortaleza.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 2 bilhões de pessoas terão contraído a gripe suína até o final da epidemia mundial.

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