Tenho o hábito ir ao Parque Vitória Régia por ocasião de eventos musicais especiais, como o foram a Virada Cultural promovida pela Secretaria da Cultura do Estado e, agora, neste fim de semana, no aniversário de Bauru, especialmente na apresentação das orquestras sinfônicas. Todos os eventos ocorrem num palco improvisado, montado ao lado do nosso “cartão postal” que é o anfiteatro, ficando este último, invariavelmente, às moscas.
Daí eu pergunto: por qual motivo o anfiteatro não é utilizado? Estaria ele sub-dimensionado ou faltaria algum tipo de acessório que o viabilizasse tecnicamente? Digo isso pelo fato de que o palco montado o é em lugar totalmente improvisado, com “gramado” (braquiária decumbens) sofrível e que se torna um areião pulverulento na seca ou lamaçal na chuva, quando essa vem a ocorrer. Enquanto isso, bem ao nosso lado, temos o majestoso Vitória Régia, com todo aquele aparato e arquibancadas estratégicamente dispostas, absolutamente vazio. Naquela escuridão que o envolve, o “Vitória Régia” se torna até fantasmagórico.
Pois bem, haveria algum tipo de imposição mercadológica dos artistas que lá se apresentam em negar-se a usar o anfiteatro por algum motivo qualquer? Se houver esse tipo de restrição ou mesmo inadequação técnica para o pleno desempenho dos artistas, haveria algo a ser feito para se viabilizar a utilização daquelas instalações todas ou nós, usuários do local, ficaremos sempre marginalizados e desconfortavelmente tentaremos apreciar os eventos que lá ocorrem?
Finalizando, na década de 1970, quando o local era recém-inaugurado, muitos eventos lá ocorreram, como peças de teatro, orquestras sinfônicas, bandas de rock and roll, bandas de Jazz tais como o Zimbo Trio e outros que não me recordo. Se funcionou naquela época porque não funcionaria agora?
Tomara que algum vereador se interesse pelo assunto e o leve adiante, tentando sensibilizar o poder executivo de modo a se utilizar o local para o fim que foi concebido, e não só como “Cartão Postal”, justamente os vereadores que esforçadamente atuam como verdadeiros “despachantes” dos anseios dos munícipes, seja para instalação de quebra-molas nas avenidas ou melhorias no atendimento do setor de saúde coletiva.
Eduardo Tavares