Uma raça nova, ainda com poucos criadores no Brasil, mas em grande expansão nos últimos anos, estará em exposição no Recinto Mello Moraes durante a 36.ª edição da Grand Expo Bauru. A partir da próxima segunda-feira até domingo, 53 bovinos bonsmara poderão ser vistos de perto pela primeira vez no evento.
Desenvolvida em laboratório, a raça reúne, em um único animal, as características fundamentais para garantir alta produtividade ao rebanho, tais como fertilidade, habilidade materna, precocidade, rusticidade, docilidade, excelente ganho de peso, carne de qualidade e fácil adaptação. “Para se ter uma idéia, um touro bonsmara, se cruzado com vacas nelore, aumenta em 30% a eficiência funcional do rebanho. É um grande benefício”, garante a produtora e entusiasta da raça Clélia Brissac de Camargo Pacheco, proprietária da Fazenda Santa Silvéria, em Piratininga, e vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Bonsmara (ABCB).
Além dela, que levará 32 cabeças ao recinto, participam criadores de Regente Feijó, Cerqueira César e Mogi Mirim. Atualmente, estima-se que 80% dos criadores desse tipo de gado estejam no Estado de São Paulo. De acordo com dados da ABCB, existem 80 criadores e 55 mil cabeças registradas, sendo 15 mil delas puras de origem (PO).
Mas Clélia frisa que o número de animais no País certamente já ultrapassou os 200 mil. “A raça está voltada para a cria, recria e engorda, e isso não aparece no mercado. Quem tem bons exemplares não quer vender e a raça acaba ficando meio escondida. Mas está crescendo muito rápido no Brasil”, observa ela, que atua no ramo há 17 anos e cria bonsmara há nove.
Desafio científico
De origem sul-africana, a raça começou a ser desenvolvida em 1937, quando o governo daquele país reconheceu que as raças de gado de corte européias não conseguiam boa adaptação ao clima tropical e subtropical. A principal raça nativa de que eles dispunham, afrikaner, apesar de resistente ao calor e de produzir carne macia, tinha baixa produtividade.
“Diante disto, o governo sul-africano financiou uma grande pesquisa, desenvolvida pelo zootecnista Jan Bonsma. Ele teria de criar uma raça de gado de corte que fosse resistente às condições climáticas e, ao mesmo tempo, com altíssima produtividade”, detalha Clélia.
Esse desafio deu início a uma série de cruzamentos do afrikaner com as raças européias Hereford e Shorthorn. Os animais resultantes desses cruzamentos foram extensivamente avaliados e, mais tarde, a raça desenvolvida pela ciência ganhou o nome de bonsmara em homenagem ao professor Bonsma e à Estação Experimental de Mara.
A raça chegou ao Brasil em 2000, através de embriões importados da Argentina que foram utilizados em um projeto de formação de raças compostas. Interessada na eficiência do bonsmara, Clélia também decidiu realizar experiências em sua fazenda com embriões sul-africanos e até hoje não se arrepende.
“Tive um resultado excelente. As fêmeas são muito férteis, adaptadas e, com 14 meses, já estão aptas a cruzar. Além de tudo, possuem uma carne maravilhosa. Era tudo que eu queria”, avalia.
Para os próximos anos, a criadora acredita que os rebanhos de bonsmara devam crescer ainda mais nas principais regiões pecuárias do País, ganhando maior importância nos eventos voltados ao agronegócio. “É esse o nosso objetivo. Neste ano, estamos trazendo algumas cabeças para a exposição para, no ano que vem, começar a participar dos leilões da Grand Expo”, frisa ela, que já havia levado exemplares do animal ao Recinto Mello Moraes durante o 1º Circuito Arco dos Criadores, no ano passado.
• Serviço
A 36.ª Grand Expo Bauru será realizada até o dia 16 no Recinto Mello Moraes, que fica na avenida Comendador José da Silva Martha, quadra 36, Jardim Ferraz. A entrada é gratuita nos dias 9, 10, 11, 12 e 16. Nos demais dias, a partir das 16h o ingresso custa R$ 10,00.