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Falta de seta causa acidente e dá multa

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

O gesto é simples, obrigatório e evita acidentes. Diante disso, é preciso perguntar: por que o motorista não dá seta ao fazer conversão ou mudar de faixa? O gesto pode evitar milhares de acidentes que acontecem todos os anos na cidade. De acordo com levantamento realizado pela Polícia Militar (PM), em 30% dos mais de 7 mil acidentes que ocorreram no trânsito de Bauru no ano passado, o motorista não sinalizou a conversão ou a troca de faixa.

A sinalização é obrigatória de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e fundamental para evitar acidentes. Quem for flagrado desobedecendo a norma pode pagar multa de até R$ 127,00. Mas a fiscalização deste tipo de infração é difícil.

De acordo com o tenente Jorge Luís Dias, comandante do pelotão de trânsito da PM, os números são preocupantes. “É alta a quantidade de motoristas que não sinalizam a sua intenção no trânsito”, diz. “Mas por outro lado, ainda existe aquele condutor que, além de usar a seta, também sinaliza com o braço a conversão”, conta.

Dias afirma que no início do ano analisou os dados sobre acidentes na cidade - que em 2008 foram 7,5 mil – e verificou que, em grande parte deles, o condutor não acionou a seta. “Em 30% dos acidentes foi detectada a falta da sinalização para mudança de faixa ou conversão”, afirma.

Ele avalia que os acidentes provocados pela falta de sinalização não costumam ser graves, geralmente são colisões que não provocam grandes danos nos veículos e não deixam muitas pessoas feridas. Mas os motociclistas são as principais vítimas. “Os motoristas acreditam que só é necessário sinalizar se houver algum carro atrás. Mas se esquecem que se uma motocicleta está próxima, ela pode entrar no ponto cego do condutor. E se é feita a mudança da faixa, acaba ocorrendo o abalroamento”, observa o tenente.

Para ele, o motorista costuma obedecer uma série de determinações do CTB, como usar o cinto de segurança, ligar a lanterna, mas sinalizar a intenção no trânsito ainda não é um hábito da maioria dos motoristas. “Falta atenção. Ele se preocupa com outros itens de segurança e acaba não usando a seta”, avalia o comandante.

Dias afirma que há poucas autuações referentes à sinalização incorreta. “É uma infração difícil de ser flagrada. Já que o policial ao fiscalizar mantém um foco das mais graves para as mais leves. Avançar sinal vermelho, invadir a preferencial, são infrações que podem provocar acidentes mais graves”, observa. Mas ele adianta que a PM deverá intensificar a fiscalização. “De acordo com o CTB, é uma infração grave e precisa ser coibida”, diz.

Para o tenente, dirigir de forma defensiva pode evitar acidentes provocados pela falta de sinalização. “Manter uma distância do veículo da frente pode evitar uma colisão, mesmo se o veículo que segue adiante não sinalizar sua intenção”, observa. Ele também destaca que é necessário manter as lanternas sempre em ordem e mesmo que uma delas queime, o condutor deve sinalizar com o braço.

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Falta de educação e hábito

Para especialistas, a maioria dos condutores não sinaliza a mudança de pista ou conversões por falta de costume. O instrutor de auto-escola Emerson João Francisco de Medeiros afirma que é insistente nesta questão. “Temos que ficar falando toda hora que é necessário sinalizar. Mas os alunos focam somente na prova prática e depois deixam de usar”, avalia. Para ele, os candidatos a motoristas não se preocupam em entender o motivo da seta. “Não percebem que a sinalização é a voz do veículo. É ela quem vai falar para os outros o que o motorista vai fazer”, diz.

Archimedes Raia Júnior, engenheiro, mestre e doutor em engenharia de transportes e professor pesquisador da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), avalia que o problema não é exclusivo de Bauru. “É nacional. Os condutores imaginam que a sinalização não é importante e por comodidade, deixam de fazê-la”, avalia.

“A segurança no trânsito é baseada em engenharia, esforço legal e educação. Esse tripé é fundamental”, diz. Para ele, somente o endurecimento na fiscalização pode provocar alguma alteração neste quadro. “A cidade se expande e a frota de veículos aumenta em uma velocidade muito alta. Porém, o efetivo da polícia não cresce na mesma proporção”, avalia Raia Júnior. E como os motoristas sabem que não serão punidos, acabam não sinalizando”, diz.

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