Regional

Mecanização das lavouras de cana ameaça trabalhadores rurais

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A mecanização das lavouras de cana-de-açúcar está a um passo de se tornar realidade, cinco anos antes do prazo estabelecido por lei para o fim da queima da palha. Sinônimo de saúde para o planeta, ela é uma ameaça para milhões de trabalhadores rurais que sem qualificação e com poucas chances no mercado atual de trabalho podem perder as vagas. O desemprego já bate as portas de cidades canavieiras e pode causar um “caos” onde eles representam a maioria da população, tornou-se uma preocupação constante para os administradores municipais.

Em Macatuba (46 quilômetros de Bauru), a previsão é que, até o final do ano, cerca de mil trabalhadores braçais devem perder seus postos de trabalho, 7 % da população de 17 mil habitantes. Em Boracéia, Jaú, Barra Bonita, Bariri, e tantas outras, a situação deve se repetir, em maior ou menor proporção.

Para amenizar os efeitos da máquina, que substitui 80 homens mas evita a queima da palha, as prefeituras correm atrás de qualificar a mão-de-obra para utilizá-las em outros setores da economia local, ou mesmo, “exportar” profissionais qualificados para os grandes centros urbanos e se livrar do “fantasma” do desemprego.

Apesar dos esforços das prefeituras, um número muito grande da população trabalhadora ficará fora do mercado de trabalho, prevê o prefeito de Macatuba, Coolidge Hercos Júnior (PMDB). “São senhores e senhoras que nunca fizeram outra coisa na vida. Têm pouca instrução e não conseguem se adaptar a outro serviço. A qualificação desse público é muito complicada, eles não são jovens e apresentam um grau enorme de dificuldades de aprendizagem.”

O secretário de desenvolvimento do município, Marcos Olivatto, confirma a versão do prefeito. “A situação é preocupante, porque o pessoal da lavoura não acredita que o corte de cana vai acabar e que eles vão ficar sem trabalho. Eles resistem à idéia de que tem uma máquina que irá substituí-los. O serviço social do município tenta conscientizá-los sobre a mudança, mas há muita resistência.”

O prefeito acha que o desemprego nos municípios canavieiros é o preço que será pago pela mecanização. “É uma necessidade ecológica. Vamos ter que priorizar o planeta.”

Júnior frisa que atualmente a prefeitura está suprindo algumas necessidades das famílias mais carentes que estão ficando desempregadas, mas teme se a situação piorar. “O problema é mais sentido no setor de assistência social, onde o desempregado procura ajuda. Eles pedem cestas básicas e leite, basicamente.”

Outra demanda grande desemboca na farmácia municipal. “Na farmácia municipal oferecemos os medicamentos enviados pelos governos federal e estadual e alguns comprados pela prefeitura que faz uma triagem das famílias que realmente precisam, porque os medicamentos que recebemos do estado e da federação são dos programas sociais.

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