A população de Macatuba está estimada em 17 mil habitantes. Desse total aproximadamente 7%, algo em torno de 1.200 são trabalhadores rurais que correm o risco de perder o emprego em pouco tempo, o que preocupa a administração municipal. O prefeito Coolidge Hercos Júnior é enfático ao dizer que há mais de quatro anos faz parcerias para a qualificação profissional dos trabalhadores. “Além dos cursos que, nós temos trazido para Macatuba, fizemos uma parceria com o Sebrae e temos um posto de atendimento ao empreendedor, um dos primeiros da região a ser implantado. Fizemos parceria com o Associação Comercial para incentivá-los, porque o poder público não dá emprego, ele serve como intermediário para agilizar algumas ações que podem indiretamente gerar emprego e é isso que estamos fazendo.”
Os cursos, segundo o prefeito, promoveu a diversificação da mão-de-obra. “Ao longo desses quatro anos e meio, muitos trabalhadores participaram dos cursos e já estão trabalhando em outras áreas. Mas, há aqueles que não apresentam o perfil de aprendizado e não se enquadram”, admite.
Em Macatuba, o Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (Senai) oferece cursos profissionalizantes de costura industrial, informática, desenho técnico, AutoCAD, mecânica de automóveis, marcenaria, pedreiro e tornearia, informa o secretário do desenvolvimento do município, Marcos Olivatto.
Uma das alternativas que o município encontrou para amenizar os efeitos da mecanização foi atrair indústrias, segundo Olivatto. “Estamos formando um pólo costureiro. Oferecemos os cursos preparatórios para qualificar a mão-de-obra e atraímos fábricas de confecção. Hoje temos mais de 10 fábricas, duas de grande porte. Uma delas com marca própria. As demais são terceirizadas de marcas e magazines nacionais.”
A Nova Jeans tem marca própria e emprega 300 pessoas, a maioria são do sexo feminino e 80% vieram do trabalho no campo, comenta a gerente de Recursos Humanos da empresa, Jucilene Tomé. “São ótimos funcionários que vieram do cultivo da cana.”
A gerente observa que, além do curso de costura industrial, os funcionários tiveram que passar por treinamento específico. “Cada setor tem um líder que treina quem está chegando. As pessoas que chegam do cultivo da cana aprendem o b, a, bá no Senai e aqui ganham mais conhecimentos específicos.”
De acordo com Tomé, quando a empresa chegou de Botucatu teve problema para contratar costureiras. “Tinham muitas vagas e poucos candidatos. Muitos apostavam na lavoura de cana e a contratação foi difícil.”
Além da costura, o curso de tornearia e mecânica qualificou os ex-trabalhadores rurais que encontram vagas em empresas da cidade, segundo Olivatto. “O forte é costura. Tem costureiras que trabalham em casa, no fundo do quintal. Prestam serviços para as empresas de confecção. A incubadora de empresas foi inspirada nesses profissionais. A intenção é torná-los donos de empresas, no prazo de dois anos.”
Segundo o dirigente do Balcão de Emprego de Macatuba, Sílvio Roberto de Oliveira Pinto, só este ano foram realizados 15 cursos em parceria com o Senar e sindicatos, tanto para os patrões como para os empregados. Dentre eles de tratorista, aplicador de agrotóxico entre outros. A finalidade é fazer migrar o trabalhador manual para a mecanização.
O curso de operadores de colheitadeira de cana, também é oferecido pela prefeitura a fim de preparar pessoal do campo a manejar a máquina. “É uma especialidade relativamente nova, pessoal que sai do corte manual de cana pode cavar uma vaga no corte mecânico”, frisa Ângelo Lista da secretaria do desenvolvimento.
Ele calcula que, se no município tiver 1.200 trabalhadores rurais, haverá necessidade de pelo menos 60 operadores para suprir as necessidades.
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Trocou a colheita de laranja pela máquina de costura
A vontade de acompanhar o crescimento da filha fez com que Cristiane de Oliveira Santos abandonasse a lavoura de laranja para trabalhar como costureira, embora a lavoura lhe rendesse um melhor salário. “Eu acordava às 4h para pegar o caminhão e ir para a lavoura de laranja. Voltava às 19h quando o ônibus não quebrava. Em alguns dias o retorno era às 22h e eu não via minha filha.”
O curso de costureira industrial foi a alternativa encontrada por ela. “Não tive dificuldade. Aprendi muito no curso e depois aqui na fábrica. Faz mais de um ano que estou trabalhando aqui. É muito mais tranqüilo, fora do sol e da chuva, e o salário é fixo, o que possibilita o planejamento financeiro.”
Érica Cristina da Silva, 19 anos, não quis seguir o caminho da mãe. “Minha mãe trabalhou a vida toda na lavoura de cana e quando surgiu a oportunidade de fazer o curso de costura, ela fez eu ir. O sonho de ser costureira era dela. Mas, depois que aprendi a costurar, gostei. Estou há mais de um ano trabalhando aqui.”
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Condomínio Empresarial
Em junho deste ano, a administração municipal de Macatuba inaugurou o Condomínio Empresarial Carlos Damaceno e Souza. São 10 boxes de 70 e 100 metros quadrados que acolhem empresas de pequeno porte que querem abandonar o fundo de quintal para gerar novas vagas no mercado de trabalho. Após a avaliação do Sebrae, parceiro da prefeitura, os interessados se instalam e ali podem ficar por dois anos com previsão de prorrogação de contrato.
Cada box paga R$ 2,00 o metro quadrado, uma média de R$ 140,00/mês, explica o secretário do desenvolvimento do município, Marcos Olivatto. “A administração é da Associação Comercial. Aqui há um refeitório coletivo, auditório para treinamento e banheiros/vestiário.”
O projeto tem três empresas de confecção de jeans e malha instaladas, além de uma que faz decoração em copos. “São serviços de confecção terceirizados de empresas de grande porte.”
Uma das empresas que deixou o fundo do quintal foi a de Valdomiro Marcondes, segundo a filha dele Adriana Marcondes. “Em casa o trabalho era feito pela família e não havia mais espaço. Viemos para a incubadora e com a orientação do Sebrae, estamos com 12 funcionárias.
O Distrito Industrial de Macatuba abriga 25 das 30 indústrias do município. A maioria das empresas são empresas de pequeno porte, mas que geram vagas no mercado de trabalho. “Além da confecção de jeans há uma fábrica de raspagem de jeans”
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Vereador quer mais indústria para a cidade
O vereador José Antonio Tavano (PMDB) faz transporte de cana e está preocupado com o desemprego que pode atingir a população de Macatuba, assim que as máquinas tomarem o lugar dos cortadores de cana. Para ele, a saída é atrair indústrias que absorvam a mão-de-obra do campo. “Porém, é preciso preparar esse trabalhador.”
Com duas máquinas colheitadeiras, uma trabalha e outra fica de reserva, as usinas conseguiram diminuir o número de cortadores manuais. Na colheita manual, segundo estudos, as perdas raramente ultrapassam os 5%, enquanto que na colheita mecânica o percentual salta para 15%. Considerando que a área plantada no Estado de São Paulo é de aproximadamente 3,5 milhões de hectares e a produtividade está próxima das 100 toneladas/ha, esse percentual equivale a uma perda anual de R$ 20 milhões para o setor, comenta o dirigente do Balcão de Emprego de Macatuba, Sílvio Roberto de Oliveira Pinto. Na opinião dele, a questão extrapola o econômico. “É uma questão social. Vai elevar muito os custos das prefeituras nas regiões canavieiras. O número de atendimento médico e social deverá ir além do previsto.”
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Projeto Mãos à Obra
O projeto Mãos à Obra foi outra alternativa que o município encontrou para minimizar o impacto das colheitadeiras no campo. Cada uma delas vai substituir 80 trabalhadores braçais no corte da cana. Uma parceria com o Senai viabilizou a opção. A 1ª turma do curso de pedreiro deve receber os certificados no final deste mês. Os alunos estão construindo um posto de saúde no Jardim Planalto.
O curso tem seis meses de duração e é basicamente prático. A teoria é mensal feita em reuniões com os participantes que, no início do curso eram 30, atualmente são 17. Muitos desistiram do aprendizado. Quem ficou, gostou e em breve estarão trabalhando em obras de Macatuba ou região.
O projeto é inédito e pioneiro no Estado de São Paulo, segundo o secretário do desenvolvimento do município, Marcos Olivatto. “Eles aprendem na prática todas as fases da construção de um prédio. A prefeitura optou por eles na construção do posto de saúde, ao invés de contratar uma empresa, possivelmente de fora. O resultado é satisfatório.”
Os participantes ganham um salário mínimo como incentivo durante todo o curso. Dois instrutores do Senai acompanham as etapas da construção, ensinando e acompanhando o trabalho. “Eles aprendem todas as etapas. Fizemos a fundação do posto de saúde, com 282 metros quadrados, a parte de alvenaria, madeiramento, hidráulica, parte elétrica, esgoto e acabamento”, explica o instrutor João Berboni, que no trabalho é acompanhado pelo também instrutor Rubens Hilário dos Santos.
Segundo Olivatto, há empresas de construção civil interessadas na contratação dos pedreiros que estão sendo formados pelo Senai. “Alguns alunos já estão construindo suas próprias casas. Com certeza, vamos exportar mão-de-obra para a construção civil dos grandes centros.”
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Abandonaram o facão
Luciana Claudino tem apenas 28 anos e trabalhava no corte de cana quando surgiu a oportunidade de participar do curso de pedreiro. No início era ela e mais cinco mulheres. Atualmente, somente ela continua no curso. “Eu tenho um terreno e vou construir minha casa. Eu adorei a profissão e vou abraçá-la.”
A jovem que tem um casal de filhos lembra que era cortadora de cana e que como pedreira se sente bem melhor. “Não acho o trabalho bruto. Acredito que vou me dar bem. Não pretendo sair da cidade para trabalhar fora, mas aqui vou batalhar meu espaço.”
Mailton Rodrigues da Silva, 25 anos, trabalhava na colheita da laranja e encontrou dificuldades físicas. “O esforço físico é tremendo para ganhar pouco, não valia a pena. Fui ajudante de pedreiro e quando surgiu o curso não vacilei.”
Em busca de mais conhecimento teórico e prático, ele não perde um dia de serviço. “Quero aprender o máximo. Nunca tinha colocado a mão na massa. Como pedreiro tenho certeza que não vou ficar parado.”
Claudinez Miguel tem 39 anos e três filhos. Até o ano passado era um cortador de cana. Optou pelo curso de pedreiro na esperança de um futuro melhor. “O setor da construção civil vai crescer e não faltarão vagas para os pedreiros. Quero arrumar um emprega em uma empresa de grande porte. Agora sei assentar piso, azulejo e lajotas.”