Articulistas

Hiroshima

José de Paiva Netto
| Tempo de leitura: 2 min

No próximo 6 de agosto, precisamente às 8h15, completam-se 64 anos do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima, depois foi a vez de Nagasaki, também no Japão. Data que jamais será varrida das consciências sob risco de que - esquecidos desse abominável atentado à vida humana - o repitamos num grau de intensidade ainda maior, devastando não apenas uma cidade, mas o próprio planeta. Vamos a um pouco de história. Agosto de 1945. Na Europa, Hitler se suicidara. Berlim, destruída e ocupada pelos russos. Em 25 de julho, dias antes do impacto de “Little Boy” - apelido do petardo de cinco toneladas que matou cerca de 100 mil pessoas em solo japonês -, o presidente norte-americano, Harry Truman, decide usar contra o naquele tempo inimigo asiático o que ele mesmo designou em seu diário como “a coisa mais terrível já descoberta”. Paul Tibbets foi o piloto da marinha escolhido para comandar o B-29 que decolou da ilha de Tinian. O avião, batizado com o nome de sua mãe, Enola Gay, levantou voo às 2h45min. Ao seu lado, na missão que entraria para a história e mudaria a geopolítica do século 20, estava o copiloto Robert Lewis, autor da famosa frase: “Meu Deus, o que fizemos!”. Décadas se foram. Todavia, o relato de muitos sobreviventes a respeito do sofrimento atroz por que passaram, é, sem dúvida, uma das mais importantes bandeiras na luta pelo desarmamento e pela não-proliferação de armas nucleares. Contudo, acontecimentos diversos continuam sugerindo que a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial não é ilusória. A humanidade corteja a morte. A paz quase que não tem passado de figura de retórica. Em grande parte da trajetória humana, o período em que ela prevaleceu é ínfimo. Se é que já houve verdadeira paz neste mundo... Somente na alma de alguns bem-aventurados é que tem conseguido habitar. Por isso, com certeza, advertiu o papa João Paulo II (1920-2005), numa memorável alocução, que “o perigo é real”. A concórdia entre religiosos é a primeira a ser conquistada. A paz de consciência dos seres terrenos, gerada por uma nova postura ecumênica, porquanto altamente fraterna, prenuncia a paz social, a paz entre as instituições e a desejada paz mundial, sob a proteção do Pai Celeste, o maior diplomata da história deste orbe, não obstante nosso recorrente mau uso do livre-arbítrio. Para os que riem dessa realidade, uma pequena recordação do cético Voltaire (1694-1778): “Se Deus não existisse, precisaria ser inventado”. Por isso mesmo, não percamos a esperança. Perseveremos trabalhando “por um Brasil melhor e uma humanidade mais feliz”. Eis a direção da vitória. E não se trata de argumento simplório. A vida ensina, mas quantos de nós aprendemos a tempo?

O autor, José de Paiva Netto, é jornalista, radialista e escritor — www.boavontade.com

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