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Política Verde: alternativa para o século 21

José Paulo Tóffano
| Tempo de leitura: 3 min

O Parlamento Europeu, braço político da União Européia, o mais consolidado dos blocos econômicos dentre os que buscam a integração regional, foi tomado de surpresa pelo resultado das suas últimas eleições, em junho deste ano, que mostrou o avanço dos chamados “parlamentares heterogêneos”.

Considerados minoria - 170 parlamentares num total de 736 representantes - verdes, eurocépticos, eurofóbicos, populistas, extremistas xenófobos e até piratas cibernéticos, defenderão, no plenário do Parlamento Europeu, as idéias dos grupos que representam na diversificada sociedade de nações do Velho Mundo, integrantes desse bloco não mais apenas econômico. Assim, mesmo conscientes de que lhes será difícil influir nas decisões tomadas pelas bancadas maiores, a movimentação dessas bancadas heterogêneas obrigará as grandes agremiações políticas a levar em conta os interesses desse tipo de eleitorado.

No plano nacional, a consciência ambientalista aumentou em muitos locais, como na França, embora o país tenha sido considerado, por muitos anos, inimigo das organizações ambientalistas como o Greenpeace. Em 1985, a embarcação “Rainbow Warrior”, da organização não governamental, foi afundada, na Nova Zelândia, por agentes da inteligência francesa.

Nas últimas eleições, o Partido dos Verdes francês ficou em terceiro lugar nas eleições ao Parlamento Regional, alcançando 16,2% dos votos, enquanto a União por um Movimento Popular (UMP), liderada pelo presidente Nicolas Sarkozy, obteve 27,8% e o Partido Socialista recebeu 16,4%. É fato que a população francesa tem demonstrado, nos últimos anos, um interesse cada vez maior pelas questões ambientais, fenômeno que agora se viu refletido nas eleições do Parlamento Europeu.

Além de estarem voltados para as questões que ameaçam a natureza, os parlamentares do Partido Verde têm respondido aos seus eleitores com uma agenda européia e não apenas nacional, enquanto os socialistas defendem plataformas nacionalistas que tendem à direita, concentrando-se muito mais em assuntos de política interna, que mais dividem do que somam as demandas das bancadas no Parlamento Europeu.

O Partido Verde, quarto maior grupo parlamentar em Estrasburgo, sede do Parlamento Europeu, atrás apenas dos conservadores, dos socialistas e dos democratas liberais, foi o único bloco político importante cuja proporção aumentou nestas eleições do Parlamento Europeu, de 5,5% para 7,2% do total de cadeiras parlamentares, passando de 43 para 53 o número de seus representantes no maior parlamento regional do mundo.

Para concluir nossa observação quanto aos resultados das últimas eleições ao Parlamento Europeu, o Partido Verde, com sua plataforma política de defesa da preservação do planeta, somada ao apoio dado aos programas de solidariedade social e de um capitalismo mais humano, ou seja, racionalmente mais produtivo e menos especulativo, aparece cada vez mais como a nova alternativa do século XXI.

No Brasil, o PV tem aumentado sua participação tanto nos legislativos quanto nos executivos. Para que se tenha uma idéia, atualmente são 23 prefeitos e 54 vice-prefeitos apenas no Estado de São Paulo – além dos quase 350 vereadores. Atualmente, os paulistas são representados no Congresso por cinco deputados federais e a expectativa é de crescimento ainda maior para as próximas eleições.

Federico Garcia Lorca, o grande poeta espanhol, assassinado pelos fascistas espanhóis na Guerra Civil que assolou o país na década de 30, tinha razão: “Verde que te quero verde. Verde vento. Verdes ramas”, e cada vez mais política verde.

O autor, José Paulo Tóffano, é deputado federal pelo PV-SP. E-mail: assessoriatoffano@gmail.com

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