O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, alerta a população dos riscos da automedicação para quem não tem diagnóstico confirmado da síndrome gripal. Ele adverte que tomar o remédio sem estar com a doença pode colaborar no fortalecimento do vírus Influenza A (H1N1), causador da gripe suína. A informação foi dada ontem, durante interrupção da sessão do Legislativo, para que os vereadores também pudessem esclarecer suas dúvidas em relação ao assunto.
O secretário também advertiu para que os médicos não prescrevam o medicamento para quem não tem diagnóstico da doença. “Infelizmente, um ou outro profissional pode cair na prática da empurroterapia, prescrevendo o remédio com a pressão do paciente com algum sintoma. Mas isso é arriscado e esse médico pode, na verdade, estar ampliando o risco de pacientes colaborarem com o fortalecimento do vírus e depois é muito pior”, reforça.
Segundo Monti, as pessoas estão assustadas e há muita pressão popular por tratamento de pacientes que não precisam e também partindo de médicos. Entretanto, os que têm evolução benigna da síndrome e que não estão na faixa de complicações – ou seja, não são crianças menores de 2 anos, idosos acima de 60 anos, pessoas que têm imunodeficiência, doenças crônicas e gestantes -, não precisam tomar o tratamento.
“Se dispensarmos o tratamento para todo mundo, vamos desencadear um processo de estímulo de resistência viral ao medicamento, e as nossas armas terapêuticas em relação a esse vírus ainda são muito limitadas. Temos dois que têm eficácia contra ele. Se tivermos a emergência de um vírus emergente, o passo seguinte é que não temos nada a fazer em relação a tratar o próprio vírus”, afirma.
Para o secretário, a tarefa dos órgãos de Saúde é bastante desafiadora. “Ao mesmo tempo que temos que zelar por todas as pessoas que tem indicação da síndrome gripal, temos a exigência de evitar que tenha a emergência de um vírus resistente. Por isso, o tratamento deve ser bem indicado. Muito do temor da população vem da sensação de que a doença é grave. Isso não corresponde. A maioria dos casos tem evolução benigna.”
Segundo ele, toda a rede de saúde de Bauru está preparada para tratar a doença, inclusive a particular. Por uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), não se faz mais exame para diagnosticar síndrome gripal em quem tem a doença leve. “Porém, as medidas adotadas dependem do estado clínico da pessoa. A orientação é que a pessoa deve recorra a uma unidade básica. Privilegiamos esse atendimento em detrimento a outros”, diz o secretário. De acordo com estimativas da OMS, 2 bilhões de pessoas no mundo terão tido a doença.
Durante mais de duas horas, Monti falou da doença e das deficiências da rede aos parlamentares e ampliou o esclarecimento à população sobre o assunto. Além do reforço na orientação por meio dos agentes públicos que gerenciam os serviços de saúde, os vereadores consideraram que o fato da sessão ser transmitida ao vivo em produção da TV Câmara e através de gravação realizada pela rádio Auri-Verde reforçaram a intervenção institucional pela massificação da discussão da doença.
Participaram da sessão a diretora do Departamento Regional de Saúde (DRS-6), Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, e Márcia Simonetti, diretora da Vigilância Epidemiológica do Estado.
Medicamentos
Para facilitar tanto do trabalho dos funcionários da Secretaria Municipal de Saúde quanto da população de Bauru, a Central de Distribuição de Medicamentos vai funcionar em novo endereço. Antes, o que funcionava no prédio da Saúde Coletiva, na Vigilância Epidemiológica, será transferido, segundo o secretário da pasta, Fernando Monti, para o pronto-socorro municipal. “Já que nós fizemos lá, na área onde era o Pronto-Atendimento Infantil (PAI), uma área unicamente para atender síndrome gripal, teremos também a disponilização dos medicamentos.”