Polícia

Instrutor bauruense que foi preso no Mato Grosso do Sul em maio dá a sua versão

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 3 min

Daniel Majone Moretto, instrutor da Academia Força Extra (AFE), sediada em Bauru, foi preso em maio em Campos Grande, no Mato Grosso do Sul, acusado de estelionato. Na época, o delegado Adriano Garcia, da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra as Relações de Consumo (Decon) de Campo Grande, que realizou a prisão, apontou uma série de irregularidades na AFE. De volta a Bauru graças a um habeas corpus e ainda respondendo processo por estelionato na justiça do MS, Daniel preferiu se pronunciar sobre sua versão dos fatos.

A AFE, que atualmente está fechada, oferecia cursos preparatórios a adolescentes para ingresso em escolas militares em 21 cidades, a maioria do Interior de São Paulo. Segundo Daniel, nunca foi garantida aos alunos a obtenção das vagas nestas instituições e isto estaria bem claro no contrato assinado pelo estudante e seus responsáveis no momento da matrícula.

Segundo as autoridades policiais, Daniel cobraria R$ 30 dos estudantes que prestavam a prova de seleção para a AFE. O teste era fácil, todos passavam e a partir daí eram cobradas três parcelas de R$ 120,00.

Daniel alega que ninguém pagava para fazer a prova, que o teste não era fácil e que apenas os aprovados pagavam um espécie de taxa de matrícula. Nas cidades onde o curso era ministrado a distância, como era o caso de Campo Grande, o valor era de R$ 100,00 à vista ou R$ 40,00 em três parcelas e corresponderia ao custo de um uniforme com duas camisetas, shorts, calça, carteira de identificação e material de estudo.

Na época, também foi dito pelo delegado que um DVD com táticas militares retirado de um site da Internet era vendido por R$ 10,00.

Moretto diz que o DVD continha aulas de diversas disciplinas e, na compra, os alunos ainda tinham direito a fazer aulas de treinamento físico com um professor de educação física contratado em cada cidade com curso de graduação na área. Haveria também um outro DVD com vídeos e propagandas da TV aberta e da Internet sobre as vagas do exército que era mostrado aos pais na palestra para comprovar a existência dos processos seletivos das escolas militares e para ilustrar como seriam os treinamentos dos filhos.

Quanto a funcionários que não teriam sido pagos e a existência de uma ordem de despejo do prédio sede da academia, o instrutor alega que todas as empresas podem ter problemas financeiros e com a AFE não foi diferente.

Em relação ao registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) como comércio varejista de artigos de vestuário, acessórios e artigos de papelaria, Daniel diz que como eram vendidos métodos de estudo através do material de apoio, as aulas entrariam como um suporte ao alunos, o que seria previsto pelo Código de Defesa do Consumidor. Mas Moretto afirma que não terá problemas em trocar a natureza da atividade comercial no CNPJ se isso for necessário.

Daniel aponta diversos outros pontos das declarações da polícia que, em sua opinião, estariam errados e alega que seu maior objetivo é deixar claro que nunca quis enganar as pessoas. “Quem me conhece em Bauru, quem conhece o projeto, sabe que minha intenção nunca foi enganar ninguém”, justifica ele. Atualmente, Moretto trabalha em uma empresa da família, mas pretende dar continuidade ao seu trabalho com jovens.

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