O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, termina seu mandato somente em 2012. Mas admitiu, ontem, em Tallin, na Estônia, que não aguenta mais o cargo. Queixando-se da invasão de privacidade que sofre, Sanchez deixa claro que a experiência como presidente ele não quer repetir. Em um desabafo, afirma que não irá contratar nem o centroavante Vágner Love nem o argentino Riquelme, colocando fim aos boatos. “Não vou ser louco. Como é que vou pagar por isso”, disse. Sobre Ronaldo, garante: não o contratou para ser jogador. “O que vier dele é bônus”, disse.
Sanchez está chefiando a delegação da CBF na Estônia, para o amistoso de hoje da seleção brasileira. Depois de relutar em conversar com os jornais paulistas sobre a situação do clube, fez uma espécie de desabafo, em pleno lobby do hotel onde a equipe de Dunga está hospedada. Sanchez alertou que nunca havia sido um homem público e que o cargo de presidente do Corinthians mudou sua vida. Para ele, a imprensa tem sido fonte de ataques infundados. “Sou pai de família”, disse.
Mas o presidente do Corinthians disse que, apesar da pressão, trabalhará para sanar a situação financeira do clube. Uma das medidas será a de não contratar quem não terá condições de pagar. “Com que dinheiro é que vou pagar por Vágner Love”, disse. Para ele, o jogador é apenas mais um dos boatos circulando sobre os futuros contratados do time. “Cada dia é um. Falaram também no Riquelme”, disse. “Não vou fazer essa loucura”, disse.
Sobre o desmantelamento do time, Sanchez é claro. “Como é que eu ia fazer para segurar Cristian e André Santos (foram para o Fenerbaçe,da Turquia)”, afirmou. Para ele, Cristian chorou em sua coletiva de imprensa final “porque nunca pensou que ganharia tanto dinheiro”. A saída de Douglas (para o futebol árabe) também era inevitável, lembrando que recebia vaias dos torcedores.
Sobre Ronaldo, o presidente do Corinthians é categórico: não o contratou para jogar bola. “Contratei para marketing e levar o nome do Corinthians a um novo nível. Eu poderia ganhar a Copa Libertadores, mas ainda assim não seria o mesmo para a promoção do clube”, disse. “O que vier além disso é lucro e está vindo mesmo”, afirmou o dirigente, claramente empolgado com a volta do atacante.
Sanchez também falou sobre a crise financeira do Corinthians nos últimos anos e a parceira com a MSI. Para ele, há “muita hipocrisia” quando se critica a origem do dinheiro do empresário iraniano Kia Joorabchian. “Não estou defendendo Kia. Mas há muita hipocrisia. Ele está comprando muita gente hoje”, lembrando que o grupo continua ativo na Europa. “Na Inglaterra ninguém fala nada”, disse.
Ao final da Era Kia, a dívida era de R$ 101 milhões, mas garante que está empenhado em solucionar a questão financeira. “Vou terminar como maior presidente do clube”, disse Sanchez. Ao deixar a conversa e depois de desmentir contratações, o presidente voltou a ser perguntando sobre Vágner Love, que joga no CSKA Moscou, da Rússia. “Sigam sonhando. Mas os sonhos, às vezes, se tornam realidade”, completou.