A Prefeitura de Bauru, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho, e a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf) acenaram para a possibilidade de discutir parcerias no uso de área do Distrito Industrial 2 para implantação no município de uma unidade do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, ligado à Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Atualmente, a área de 200 mil metros quadrados, cuja doação foi feita em meados de 2002 à fundação, conta com projeto dividido em três frentes, composta pela instalação de lavanderia hospitalar para prestar serviços especializados a todas as unidades públicas de Bauru, formação de mão-de-obra técnica no setor para dar suporte à especialização hospitalar e uma fábrica de equipamentos e produtos de fisioterapia, reabilitação e acessibilidade.
Porém, tanto a superintendência do Centrinho quanto a presidência da Funcraf informaram que a área pode ser usada também para a instalação do Instituto Lucy Montoro, desde que sejam firmadas parcerias com quem tem atuação intensiva em programas destinados a pessoas com deficiências em Bauru, como é o caso da Apae e da Sorri. A superintendência ressalta ainda que está aberta à discussões, nesse sentido, com a administração municipal e o governo estadual.
No início do mês, a superintendência do Centrinho reuniu parceiros, representantes de entidades que atuam na área de reabilitação de deficiências e o chefe do Executivo para comunicar avaliação de que o novo hospital não comporta as modificações estruturais que teriam de ser feitas para incorporar o Instituto Lucy Montoro na unidade na Vila Universitária, em dois dos 10 pavimentos previstos.
Com a possibilidade de negociação da área no Distrito Industrial 2, abre-se uma nova discussão para tentar solucionar o imbróglio, que vem sendo alvo de discursos políticos desde o início do ano. A secretária da pasta, Linamara Rizzo Battistella, informou, por meio da assessoria de imprensa, que a instalação de uma unidade Lucy Montoro em Bauru depende da contrapartida do município no sentido de disponibilizar um centro que possa se adequar à rede. O município deve formalizar o pedido para análise da pasta.
Andamento
Segundo informações da pasta, Bauru não foi escalada na fase inicial para instalação das seis primeiras unidades porque não houve manifestação da administração municipal. A cotação do município para receber a rede só é feita pela pasta dos Direitos da Pessoa com Deficiência com a manifestação da prefeitura, e Bauru não fez isso anteriormente.
Diante disso, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) afirmou que a negociação de Bauru está completamente diferente do que a que ocorre com os outros municípios. “Hoje, Bauru já é um centro nacional de reabilitação, muito maior do que muitas unidades da Lucy Montoro. É claro que a unidade seria um recurso a mais para as vítimas de acidentes de trânsito. A gente tem conversado bastante, mas a prefeitura não tem prédio e nem orçamento para construir um obra dessas, que custaria de R$ 10 a R$ 12 milhões”.
A infra-estrutura e a mão-de-obra são prerrogativas da administração municipal, no caso de uma parceria com o Estado para implantação do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro. Em geral, as unidades estão sendo feitas em lugares onde há universidade pública de medicina, pediatria ou fisioterapia próxima, porque a rede Lucy Montoro é um centro de reabilitação e também formador de mão-de-obra nessa área.
Para receber a unidade, existem prefeituras que fizeram parcerias com instituições, outras que cederam prédios, e ainda aquelas estão construindo sedes, com recursos próprios. À Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência cabe os custos de manutenção e tecnologia dos equipamentos as unidades da Lucy Montoro.