Polícia

Caminhão esmaga carro em rodovia

Da Redação
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A rodovia Bauru-Iacanga (Cezário José de Castilho) contabilizou, ontem pela manhã, duas mortes em um acidente chocante, registrado no quilômetro 352, ainda em Bauru. O Escort conduzido por Adauto Aparecido Alves, 39 anos, foi literalmente esmagado por um caminhão carregado de placas de madeira (MDF), dirigido por Mauro Ferreira da Conceição, 45 anos. Ambos nem chegaram a ser socorridos, tamanha a violência do impacto, ocorrido por volta das 9h.

A hipótese mais provável é que os veículos tenham colidido de frente ou lateralmente, numa curva considerada perigosa pelo Policiamento Rodoviário. Não houve, porém, qualquer registro de outro acidente, neste ano, naquele ponto. No caso de ontem, o Escort seguia sentido Iacanga-Bauru e o caminhão, no contrário. Após a batida, por razões até ontem ignoradas, o Mercedes Benz carregado de placas de madeira arrastou o veículo pela pista contrária, por vários metros, até prensá-lo em um barranco no acostamento. Ao que tudo indica, somente então a cabine tombou e se separou da carroceria.

Cerca de 90 metros antes do ponto onde os dois veículos pararam, já era possível observar inúmeros destroços, como pedaços do motor, bateria e molho de chaves, além de sinais claros da gravidade dos ferimentos. As placas de MDF foram arremessadas outros 90 metros adiante. Uma das hipóteses é de que a força do MDF, ao ser lançado por conta da frenagem, tenha danificado a cabine do caminhão.

Resgate

Foi necessário o uso de ferramenta hidráulica de corte e alargamento do Corpo de Bombeiros para retirar das ferragens o motorista Mauro da Conceição. Seu corpo estava íntegro, diferentemente de Adauto Alves, que conduzia o Escort de placas CGE 9309 e sofreu o impacto maior.

Para retirar o carro debaixo da carroceria do caminhão de placas de Salvador, foram necessários dois guinchos, um do Corpo de Bombeiros e outro do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Por conta do trabalho, inclusive da perícia, as pistas nos dois sentidos ficaram interditadas por cerca de uma hora.

No sentido Bauru-Iacanga, comentava-se no local do acidente que o congestionamento chegava a quatro quilômetros - quase até o trevo do Jardim Colina Verde -, informação não confirmada pelo Policiamento Rodoviário. Em alguns momentos, meia pista era liberada para o trânsito de ambos os sentidos. Numa dessas situações, uma caminhonete teve o pneu furado por conta do material na pista, que recebeu pó de serra em virtude do óleo e foi limpa posteriormente.

O trecho permite visibilidade, mas a ultrapassagem é proibida por conta da curva, informa o Policiamento Rodoviário. Segundo comentários no local, existem várias hipóteses para explicar o acidente, como ultrapassagem irregular ou descontrole de um dos veículos. Apenas com a conclusão do laudo da perícia, que leva cerca de 30 dias, as circunstâncias ficarão mais claras.

A gravidade, porém, é incontestável. Qualquer curioso - como os que deixaram o carro fechado na pista enquanto aguardavam liberação para tráfego - pôde constatar. Estiveram no local membros da Polícia Civil, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Polícia Militar, do Policiamento Rodoviário, do DER e do Corpo de Bombeiros.

Funcionário da Unesp

Adauto Aparecido Alves, 39 anos, era funcionário da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desde a encampação, em 1988. Trabalhou vários anos na reprografia e, depois, com o pessoal da informática. Querido por todos, era sorridente e sempre solícito, contam os colegas. Morava com a família no Núcleo José Regino. Deixa esposa e dois filhos.

Já Mauro Ferreira da Conceição era funcionário da Rodoviário Racal Ltda., situado em Porco Seco Pirajá, na Bahia. Ontem à tarde, a reportagem não encontrou na empresa quem pudesse prestar informações sobre a vítima, o trajeto que fazia e o translado do corpo.

Certo, apenas os perigos da rodovia Cezário José de Castilho. Segundo informações extra-oficiais, somente em Arealva, cinco pessoas teriam perdido a vida, neste ano, em acidentes na via. Ontem, a reportagem não obteve levantamento oficial. O último caso registrado pelo jornal foi no último dia de maio, quando a colisão de uma motocicleta na lateral de uma Kombi, no trevo de acesso a Arealva (41 quilômetros de Bauru), provocou a morte de uma adolescente de 15 anos, deixou um homem gravemente ferido e sete pessoas com escoriações.

O caso de ontem foi registrado no plantão da Polícia Civil como homicídio culposo na direção de veículo automotor.

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Bauru-Iacanga é ‘rodovia da morte’

Em matéria publicada há um ano, o JC apontou que a rodovia campeã de mortes em sua extensão é a Cezário José Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, que, em função dos riscos que oferece, recebeu o título de “rodovia da morte” na região. Levantamento extra-oficial aponta que sete pessoas morreram na Bauru-Iacanga somente neste ano, incluindo as vítimas fatais de ontem. Sob a responsabilidade do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), órgão vinculado ao Governo do Estado de São Paulo, a via registra muitos atropelamentos, colisões de todos os tipos e capotamentos. Além de ter pista simples, a Bauru-Iacanga não tem acostamento em sua maior parte.

Em 20 de novembro do ano passado, o JC publicou matéria informando que o governo estadual tinha autorizado a realização do projeto executivo para as obras de possível duplicação da rodovia Bauru-Iacanga, no trecho entre a saída do perímetro urbano local até o Aeroporto Moussa Tobias.

Do ponto de vista de tramitação da proposta, a autorização para o projeto executivo é considerada a etapa de levantamento de informações que vão embasar a futura licitação, cuja liberação depende do governador José Serra (PSDB).

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