Regional

Demissão em lavoura de laranja em Bariri preocupa sindicalistas

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Bariri - A demissão de uma turma de 34 trabalhadores da colheita de laranjas de uma empresa em Bariri (56 quilômetros de Bauru) causou a preocupação de sindicalistas que acreditam que possa ter havido represália devido às reivindicações da categoria por melhores salários e condições de trabalho.

Segundo Eduardo Porfírio, diretor da Federação dos Empregados Rurais Assalariados no Estado de São Paulo (Feraesp), os 34 trabalhadores da região de Bariri procuraram o Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade, ontem, reclamando que tinham sido dispensados pela empresa Citrovita após 15 dias de iniciarem o trabalho na Fazenda Água Branca.

Os trabalhadores teriam estranhado a dispensa pois acreditavam que seriam aproveitados durante a colheita da safra da laranja. De acordo com Porfírio, o contrato deles, inicialmente, seria para trabalhar durante seis a oito meses. No entanto, havia uma cláusula nos contrato que previa o direito recíproco de rescisão que, segundo os trabalhadores, eles não tinham conhecimento.

O trabalhadores também reclamaram que não estariam ganhando salário fixo e que recebiam por produção, cerca de R$ 0,25 por caixa colhida (cada caixa equivale a 27,2 quilos de laranja). Para ganhar o salário mínimo paulista, de R$ 505,00, cada trabalhador teria de colher, em média, 67 caixas por dia. “Um trabalhador no pomar hoje, para tirar 50 a 60 caixas, tem que ser muito bom. Agora, imagine em um pomar ruim o que eles estão tirando. Com certeza nem o salário do mês”, avalia Porfírio.

O motivo alegado pela empresa para a dispensa dos trabalhadores seria a baixa produção. “Acho impossível uma turma inteira ser de baixa produção”, comenta Porfírio. “Nós estamos com dúvida (do motivo) dessa dispensa porque nós temos uma rodada de negociação amanhã (hoje) com eles em Bauru para discutir salário, condições de trabalho, benefícios etc.”, completa o sindicalista. A negociação salarial será hoje no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Durante a reunião, o sindicato pretende conseguir com que a empresa reverta as demissões ou que, ao menos, cumpra a legislação, pagando de 3 a 4 salários a cada trabalhador dispensado.

O JC entrou em contato com a assessoria de imprensa da Citrovitas, ontem à tarde, para que esclaresse as demissões, mas a empresa informou que não iria se pronunciar.

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