Nacional

Protesto pede afastamento de Yeda

Graciliano Rocha
| Tempo de leitura: 2 min

Porto Alegre - No mesmo dia em que a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul anunciou a abertura da CPI para investigar a governadora Yeda Crusius (PSDB), manifestantes a favor e contra a tucana promoveram atos no centro de Porto Alegre.

Separados por uma rua e um cordão de policiais, os dois grupos agiram como torcidas rivais - gritaram, agitaram bandeiras e cartazes e fizeram provocações -, mas não houve confronto em frente ao Palácio Piratini (sede do governo gaúcho).

As manifestações envolveram entre 2.600 e 3.200 pessoas, de acordo com a Brigada Militar e os organizadores, respectivamente. Um padre da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que protestava contra Yeda chegou a ser detido.

Em maior número, sindicalistas, funcionários públicos e estudantes que pediam a saída de Yeda carregaram bonecos que representavam a governadora e outras oito pessoas acusadas pelo Ministério Público Federal de integrar uma organização criminosa que recebeu dinheiro desviado do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS). Os bonecos estavam algemados e foram entregues simbolicamente à polícia.

O “Fora, Yeda”, como o movimento foi batizado, mobilizou mais de 2 mil pessoas, conforme a polícia, inclusive ativistas trazidos do interior em ônibus pagos por sindicatos que se opõem ao governo. Políticos de partidos de oposição (PT, PDT, PSOL e PC do B) discursaram. “Esse governo já caiu politicamente. Se Yeda não sair, o governo não tem mais legitimidade para propor nada para o Estado”, afirmou Rejane Oliveira, presidente do Centro dos Professores do RS (CPERS).

A resposta governista, o “Fica, Yeda”, foi articulada pela juventude do PSDB, que reuniu perto do Palácio Piratini cerca de 150 pessoas. Imitando slogan de Lula na campanha de 2006, uma das faixas pedia: “Deixem a mulher trabalhar”.

O marido da governadora, Carlos Crusius, também denunciado pela Procuradoria, participou do ato. Crusius disse que estava ali como “militante”. Quando os manifestantes do outro lado da rua perceberam sua presença, ele foi chamado de “ladrão”.

“Essa oposição raivosa está tentando dar um golpe. Estamos respondendo na rua porque estamos cansados de acusações sem fundamento”, disse Daniel Ludwig, da juventude do PSDB. Por volta das 13h, os tucanos deram as mãos, simbolizando abraço no Piratini.

O presidente da Assembléia, Ivar Pavan (PT), anunciou que o requerimento assinado por 39 deputados para a instalação da CPI cumpria os requisitos legais. Na próxima semana, após a publicação do ato no “Diário Oficial”, os partidos indicarão os membros. Os trabalhos só deverão começar na última semana de agosto.

Aliados de Yeda terão maioria, com oito das 12 vagas da CPI.

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