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Poupatempo ficará fechado por 6 meses

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Às vésperas de completar três anos de atendimento, o prédio do Poupatempo de Bauru está fechado para reformas, conforme o Jornal da Cidade adiantou na edição de ontem. O imóvel, de mais de 70 anos, terá o telhado recuperado, numa obra que ainda não tem projeto nem estimativa de custo, mas que obrigará a suspensão dos serviços no prédio por até seis meses. O atendimento à população não será interrompido. Ele foi redistribuído e parte será feita na unidade do Poupatempo Móvel, instalado na frente do prédio. O restante retornará às unidades de origem. A partir do dia 31, uma parcela dos serviços será realizada em área adaptado nos fundos do Poupatempo.

Em coletiva de imprensa realizada ontem, Alexandre Araújo, diretor de Serviços ao Cidadão da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), informou que durante uma vistoria de rotina foi detectada a necessidade de reforma na cobertura do imóvel. Como não seria a primeira intervenção no telhado - no início de julho a porta de acesso ao órgão foi interditada para uma reforma na cobertura - a Prodesp e o Consórcio Integra Fácil, que administra a unidade, solicitaram ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) uma análise completa do telhado do imóvel. O laudo preliminar da entidade recomendou a realização de uma reforma geral da cobertura.

A orientação foi acatada e, a partir de hoje, o prédio já não será aberto à população -apenas estão mantidas as audiências já designadas no Juizado Especial Cível, mas somente até dia 31 deste mês. “Os serviços não serão suspensos. Eles continuarão em uma unidade móvel que foi estacionada em frente ao prédio e também, a partir do dia 31, na área aos fundos do imóvel, onde estão localizados os vagões”, explica Araújo.

Ele informou que após readequar o atendimento, o próximo passo é contratar uma empresa para elaborar o projeto de reforma do telhado. Quando o prédio foi adaptado para receber o Poupatempo, foram investidos cerca de R$ 10 milhões somente em obras. Araújo não informou o valor estimado para a recuperação da cobertura do prédio, mas disse que, por se tratar de uma estrutura bastante antiga, que foi preservada, a manutenção é constante.

O tempo necessário para finalizar o serviço também não foi confirmado. “Estimamos de quatro a seis meses. Dependerá do projeto”, avalia Araújo.

Questionado sobre o prejuízo à população - o Poupatempo de Bauru atende diariamente uma média de 5,8 mil pessoas - o diretor minimizou o problema. “Procuramos ter o cuidado em manter aqui os serviços mais procurados pela população. Os de maior volume ficaram”, afirma. Porém, os serviços do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), um dos mais concorridos na unidade, foram redesignados para a sede da 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) por motivos de segurança.

Pelos cálculos de Araújo, 60% dos serviços prestados pelo Poupatempo permanecerão centralizados na unidade móvel ou na área adaptada. Mas mesmo tomando o cuidado para manter o atendimento à população, a velocidade de alguns serviços, um dos pontos mais elogiados no órgão, deve cair. A emissão de RG e de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) deverá ser alongada em alguns dias.

Isso porque o sistema emissor, que funcionava no prédio, será desativado até o final da reforma. Dessa maneira, a CNH, que atualmente é emitida em quatro horas, poderá levar até três dias, já que será enviada para o Detran na Capital. O mesmo acontecerá com as cédulas de identidade que serão emitidas pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton (IIRGD). Outros serviços deverão voltar a ser realizados pelo órgão de origem. Os cerca de 300 funcionários serão redistribuídos.

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Prefeitura e Estado transferem serviços

Por conta da reforma, os serviços municipais e estaduais oferecidos no Poupatempo serão redistribuídos. A prefeitura definiu que cada secretaria, empresa ou autarquia absorverá o atendimento oferecido no Poupatempo. Alguns desses serviços retornarão aos espaços que estão sendo viabilizados nas imediações do Poupatempo, a partir de 31 de agosto, e outros permanecerão em suas secretarias até a conclusão das obras no prédio principal.

Para o secretário municipal do Desenvolvimento, Nico Mondelli, a redistribuição dos serviços municipais será encarada como um desafio para melhorar a qualidade no atendimento. “Vamos nos empenhar para que o cidadão não tenha prejuízo”, afirma. “A gente sabe que não será possível reproduzir o mesmo atendimento. Mas será uma maneira de estudar a desburocratização da prefeitura”, diz. “Queremos mostrar ao Estado que Bauru também mantém o padrão de qualidade do Poupatempo. Esse é o nosso desafio”, destaca.

Ontem, funcionários do Poupatempo já orientavam a população sobre as mudanças no atendimento. “É um serviço muito bom prestado ao povo, mas acho que agora vai complicar um pouco porque nós já nos acostumamos com a rapidez do serviço”, afirma a autônoma Sônia Maria Ramos Aguiar. “Eu venho bastante aqui, justamente para evitar subir até a prefeitura”, diz.

Habituado a procurar o Poupatempo para resolver várias pendências de uma só vez, Ismael Biancardi, que atua no segmento imobiliário, avalia que a reforma trará transtornos. “Vai ficar mais difícil”, diz. Porém, ele destaca a qualidade do serviço oferecido. “O tratamento é excelente. Venho aqui e procuro a Seplan, Finanças, DAE, banco”, enumera.

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