Saúde

Média de arrependimento após vasectomia é alta

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Com o objetivo de coibir a realização de vasectomia - cirurgia que deixa os homens estéreis - por outros especialistas e diminuir o índice de arrependimento pela decisão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) criou um pacote de medidas para regulamentar o procedimento. Em Bauru, o índice de homens arrependidos chega a 60% no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo informações do CFM, o objetivo da resolução é chamar a atenção de que a vasectomia não se restringe a uma técnica cirúrgica, já que há repercussões, como por exemplo, o desejo de uma reversão.

Em 2008, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu a vasectomia entre os procedimentos com cobertura dos planos de saúde. Mas não tinha estabelecido um protocolo de ações para ser aplicado antes da cirurgia.

Já o Programa de Planejamento Familiar do SUS mantém uma série de etapas que o candidato à esterilização deve ser submetido antes de passar pelo procedimento. Atualmente, a legislação permite a esterilização masculina voluntária apenas em pacientes maiores de 25 anos de idade ou homens com mais de 18 e menos de 25 anos, desde que já tenham dois filhos vivos.

Reflexão

Para estimular a reflexão sobre a escolha da cirurgia, a resolução do CFM prevê que a vasectomia seja realizada apenas 60 dias após a manifestação de vontade do interessado, como já é feito no SUS. Durante esse tempo, o prazo deverá ser usado para conscientização de vários métodos de contracepção, visando desencorajar a esterilização precoce.

Outra medida da resolução para evitar a banalização da cirurgia é que todo médico que faça a vasectomia tenha capacitação para revertê-la. De acordo com o CFM, a reversão é solicitada por 6% dos vasectomizados e 17% se arrependem ao longo da vida por alterações psicológicas e emocionais. Porém, o sucesso da reversão é de 5% a 10% dos casos.

O urologista Aguinaldo Nardi, coordenador de campanhas públicas da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), afirma que a vasectomia para fins de contracepção não está inserida na Classificação Brasileira Hierarquizada de procedimentos Médicos (CBHPM).

“Precisamos de um novo código, pois a vasectomia não pode ser oferecida de maneira isolada. Ela se tornou um procedimento muito procurado depois que a ANS a referendou na cobertura dos planos. Mas é oferecida sem ter um aprofundamento sobre o tema”, pondera.

Para Nardi, o modelo utilizado no SUS é positivo. “É um exemplo de como deveria ser feito o planejamento familiar. Tem acompanhamento psicológico, muita informação”, destaca.

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Arrependimento

Apesar de ser rigoroso e estimular a reflexão do paciente sobre a decisão, o médico Sérgio Henrique Antônio diz que a taxa de arrependimento é muito grande. “Em Bauru, o índice de arrependimento é de 60% a 70%, mesmo com todo o cuidado tomado”, destaca. “É muito complexo. O planejamento familiar demora porque verificamos todos os tipos de condições para que o procedimento seja feito com segurança, e mesmo assim o nível de arrependimento é alto.”

O SUS ainda estuda a possibilidade de oferecer a reversão. Mas de acordo com Antônio, o índice de sucesso é baixo, de 5% a 10% dos casos.

Morte de algum filho e novos casamentos são os principais motivos de procura da reversão. Antônio pondera que o início precoce da vida sexual leva pessoas ainda muito jovens a procurar a esterilização. O que também leva ao arrependimento, já que em muitos casos os filhos estão crescidos e os pais, relativamente jovens.

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O que é

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a vasectomia é a cirurgia que deixa o homem estéril - a versão masculina da laqueadura. O procedimento é realizado com anestesia local. Após a cirurgia, o paciente deve manter repouso sexual por sete dias. Para verificar o sucesso da cirurgia, o paciente deve realizar um espermograma (exame do líquido seminal) após 60 dias da intervenção.

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